terça-feira, dezembro 23

E porque o meu presente de Natal são todos vós...


Deixo-vos o primeiro Postal de Natal, uma vez que não tenho as vossas moradas para vos enviar umas palavras de carinho, assim a todos os que por aqui passam desejos de um Natal Feliz e que 2009 traga o que merecem, para além de Paz, Saúde e Alegria.

E porque sobre o Natal já disse como me sinto este ano em http://mundodasaventuras.blogspot.com/

Espero que a felicidade desta época permaneça para os dias seguintes.

Obrigada pela vossa atenção e amizade.
Um beijo e um pouco de mim.

sexta-feira, dezembro 19

Papel de música



Cabelos nos olhos
lágrimas no chão
a pele seca de tanto Sol
e a água demasiado fria
mas que não arrefece o coração.

Tantos olhares de ontem
tanta dança perdida
de música detestada
e a liberdade livre
livre demais
para ficar presa em mim.

Sonhos infantis
cor do ursinho amarelo
que todas as crianças amam
um respirar fundo
até á resina dos pinheiros...

...um amigo
aqui e além
de olhos castanhos de timidez
e eu
a não conseguir esquecer-te
e a amar-te cada vez mais.

Continuo a correr atrás das borboletas
(de pés molhados na terra fofa)

Pode ser que elas me levem até ti...

Na mão
um chapéu de palha
(de fita azul rebelde)
uns calções sujos,
os pés nus e queimados
algumas lágrimas na camisola...

...os cabelos livres
e
muito vento no olhar...

sábado, dezembro 13

Nine million bicycles...



Pouco a pouco regressa a paz.

Instala-se
a música no peito,
o mar em fogo,
quantas noites por amar,
quantos sonhos por sonhar,
tanto Sol nos cabelos em desalinho,
corpos que se t(r)ocam em
constantes movimentos
paragens
de desejos incontidos,
olhares de tantas cores
arco-íris perfumado em tons anil,
breve anoitecer sem sono
madrugadas tardias
em vésperas de Agosto,
um passeio à beira-mar,
uma mão na minha mão
e no meu peito,
a saudade
pelos gestos ternos que jamais teremos
assim
os olhares de carícias
breves
algumas danças proibidas
a viagem sem regresso
Porto Covo
ilha sem pessegueiro
lábios com sabor a morango
uma nova vontade de viver
tonifica-me os músculos,
esqueço a flacidez
do meu corpo,
ergo-me
num renascer de novos desejos
a memória trai-me,
espero-te em bebedeiras de azul
num tentar esquecer.

Para sempre.

quarta-feira, dezembro 10

Praia secreta

Fotografia de Paulo Lopes



Regresso.
Os pés, o peito e as mãos em ferida.

Regresso.
Estico as pernas, endireito-me,
busco conforto
numa posição em que te possa pensar sem soluços...
A música continua intensa
nos passos de
dança que jamais teremos.

Regresso
em ferida, dividida, desnorteada.
Regresso
ao abraço morno do meu amor de sempre
e para sempre,
meu marido
amigo,
que mesmo sem saber

me segura as lágrimas
e os sonhos,
meu amigo que me ama

mesmo sem me entender.

Regresso.

Deambulo pela floresta em fogo
queimam-se todos os sonhos em cinza

no meu peito
a dor antiga.


Regresso...quando partirei de novo?

quarta-feira, dezembro 3

Polar Rotation

Fotografia de Luís Ferreira



Hoje, sinto que morri.

A alma inerte
nos braços caídos
ao longo do teu corpo
em fuga.

Soltou-se a areia que trazia no regaço
para as flores e plástico que abomino.

Não as quero no meu jazigo de cinzas
ao vento,
quando
as tuas lágrimas
se engasgarem de frio.

Dirás então
em remorso,
que me amaste (de)mais.

Mas já terei partido
com os sonhos que foste destruindo,
cada vez que enganavas a sorte
ao acreditares
que eu permaneceria.

E a anestesia que não faz efeito.

quinta-feira, novembro 13

Despedida

Fotografia de Luís Ferreira


Abro a janela,
entra em mim um pedaço de horizonte
uma árvore livre de Outono..

A música continua num quarto amarelo...
a chuva senta-se comigo junto à lareira
que invento,
num fogo que não sei...

O Sol acentua a confusão,
o cinzento das nuvens
uma flor amarela.

Há alguém no meu mundo
e continuo só...

Um olhar vazio
palavras antigas,
uma sensação estranha
de tédio
-não descoberta-
embora haja a aventura de novas emoções.

O que dói
é a indiferença
que eu não finjo
porque
não sei

não quero
um
não sentir
ternura
um beijo
e o pensamento longe
um abraço sem música

quem sou eu?

Será que alguém me ajuda a permanecer?

Não sei o que quero,
o que sinto,
o que sou-
- alguém que me entenda-
uma ternura
especial
uma lágrima
no mar.

É agora o meu tempo?
ou é Dezembro
porque a neve também cai no deserto?...

Uma lágrima de desespero,
vidros partidos,
uma palavra amiga...
...onde?

Uma guitarra,
outro mundo,
um breve entender.

É urgente a escolha
persiste a confusão,
prisão,
mãos sem vida
numa praia de manhãs claras
um suspiro,
não pensar,
um olhar triste.

Quero partir
isso eu sei
mas há o medo da espera,
do desencontro...

...e da fuga.

domingo, novembro 9

Para sempre

Fotografia de Luís Ferreira

Esgoto-me em melodias breves
num respirar lento de asas quebradas.

Lágrimas secas por sentires proibidos
vais
e
vens
como se eu permanecesse
numa espera
sem hora marcada
tons de azul
numa primavera por inventar.

Desejo-te
em movimentos constantes
suave libertar de emoções loucas
as manhãs em que te penso
os momentos
em que te tenho
fugazes
efémeros
perdidos...

...depois
a realidade deixa-me as mãos vazias de ti.

Regresso ao meu mundo
onde me isolo dos outros
para que o segredo se mantenha
e
a
magia...

Se soubesses o que despertas em mim
talvez sentisses,
talvez gostasses,
talvez ficasses.

Se soubesses
que só existes TU

mesmo quando parece haver outros

mas és tu e sempre tu
em que me vejo e revejo
e
invento
em manhã cálidas de dias de inverno
tu
e sempre tu
com quem quero fazer tudo

dançar
rir
passear
chorar
comer
ler
amar
viajar
existir
inventar
sonhar
estar
VIVER!

Para sempre.

sexta-feira, outubro 31

O amor nas pontas dos dedos ( O amor nas mãos)

Pararge aegerica

Fotografia de Luís Ferreira

Busco-te
por entre as árvores,
procuro-te em cada olhar
revejo-te em todos os sorrisos...

...Encontro-te perdido numa praia
que só nós sabemos.

Agarro o tempo
para que
não me deixes ir
no esquecimento
que pedes.

Penso-te,
imagino-te,
sinto-te
numa explosão de sentidos sem fim.

Então,
é manhã outra vez
e escondo-te tão dentro de mim
que
te perco de novo.

quinta-feira, outubro 30

Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama

Porque o cancro não só mata, mas também morre!
Que o digam amigas minhas que estão a passar por momentos que eu não sei se aguentaria.

Que o digam milhares de mulheres que o venceram! E vencem a cada dia que passa.

Um beijo especial à minha amiga Zinda (minha sogra).

E porque prevenir é um acto de coragem e os símbolos servem para unir os pensamentos em massa e reforçar a luta:

hoje
tenho uma t'shirt cor de rosa

(eu que nem gosto da cor).

E não é um problema exclusivo das mulheres!

Bom dia de reflexão e prevenção, para quem está saudável.

Bom dia de parabéns pela coragem em vencer esta doença maldita.

Bom dia.
Por um Mundo melhor
que podemos
(devemos)
ajudar
a
construir.

Um beijo.
Hoje tem que ser rosa!



segunda-feira, outubro 13

A ver o rio...

http://paulolopes.net/

Vou ficar a contem
plar o rio
enquanto te sei longe de mim
a começar uma vida nova
que tamm tive, em tempos.

Vou ficar sentada.
ou a passear pela Marginal
tentando estar contigo,
em todos os momentos
em que me sentiste ausente.

E tentar que as lágrimas
sequem ao sol de fins de tardes outonais
pelo espaço que deixas vazio,
pelo teu riso que escutarei à distância,
pelas lágrimas que pressentirei.

Vou contemplar o rio,
que mais além é (a)mar
num amor sem tempo nem medida.

Vou saber cada dor antes de ti
tentar que nunca percas essa força de viver
estar contigo, apesar da distância.

E ver o rio.
E o mar.

Vou sentar-me na nossa praia
e tentar encontrar-te nas ondas
rebeldes
como tu,
inconformista
decidida,
uma autêntica força da natureza.

E o orgulho com que te afirmas
a transparência com que te entregas,
a dança que fazes da vida,
é a música
que me faz levantar todos os dias.

Só para te dizer (como se não soubesses)
que vou ter saudadas tuas,
mesmo da tua impaciência para ouvires os "meus sermões"
mesmo do teu mau humor matinal,
da tua teimosia
e das discussões por coisa nenhuma.

Vou ficar a ver o rio.
E escutar as tuas gargalhadas
a ecoarem na memória
do teu olhar doce,
que me diz
que estaremos sempre juntas,
independentemente
dos kilómetros
que perfazem a distância.

Para sempre, meu amor (sim é para ti esta musica, do Xutos & Pontapés).

Vais partir, mas eu vou contigo!


quinta-feira, outubro 9

Fénix
















http://www.paulolopes.net/


E eis que regresso.

Renascida na
canela,
salva
e mirra,
num confronto
com a minha morte
há tanto
anunciada.

Eis que regresso.

Em cores
de asas,
em voos
proibidos
numa aprendizagem
de tons
roxo, azul, vermelho, branco
e
dourado.

Promessas cumpridas,
verdades omitidas,
palavras repetidas,
amizades reprimidas,
u
m
a

l
á
g
r
i
m
a
com sabor a café frio.

Regresso.

O peito aberto para os amigos que tenho ignorado.
As mãos estendidas para os os carinhos que me têm aguardado.


A boca ávida
de partilhar as aventuras
desta viagem,
alucinante
fascinante,
experimental,
em que por algum tempo
me perdi
de mim.

Regresso.

O olhar
ao encontro
do
olhar
que ainda é da cor do meu.


Regresso.
Ao chá de menta
que se mantém quente
numa espera
incandescente,
na mesma mesa
do mesmo Café.

Regresso,
segura
e
altiva,
nas minhas botas de cano alto,
em passo apressado
pelo tempo que não vivi.


Regresso,
como se não tivesse partido,
feliz;
apesar da viagem
me ter dividido,
num reencontro comigo.

Estou aqui.

(Apaixonadamente a viver cada dia, como se fosse o último).



segunda-feira, julho 28

ESTÁ PREPARADO PARA O PERÍODO CRÍTICO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS?















Verifique se está devidamente preparado para a época de incêndios florestais deste ano (http://www.dgrf.min-agricultura.pt/portal/prevencao-a-incendios-dfci):

Tenho o mato limpo, à volta da minha casa, num raio de 50 metros, para proteger a minha casa e criar uma zona de segurança para os bombeiros poderem fazer o seu trabalho.

Tenho as botijas de gás de reserva e as vazias longe de casa.

Tenho o telhado limpo de folhas, ramos, pinhas e carumas.

Tenho o caminho de acesso à minha casa, com o mato limpo numa faixa de 10 metros para cada lado.

Tenho os armazéns e locais onde tenho os animais, com uma faixa de protecção de 50 metros sem matos.

Tenho os montes de lenha afastados da minha casa.

Tenho as palhas guardadas num lugar onde o terreno está limpo à volta, sem matos e ervas.

Tenho as árvores à volta de minha casa desramadas e os ramos de umas não tocam nos ramos das outras.

Tenho o quintal sem ervas secas e sem folhada seca.

Tenho um sítio para fazer compostagem para não ter de queimar os restos das culturas e da jardinagem.

Tenho a relva do meu jardim devidamente cortada.

Tenho as chaminés protegidas com um sistema anti-fagulhas.

Já falei com os meus vizinhos que têm propriedades que confinam com os caminhos de acesso à minha casa, para que limpem os matos numa faixa de 10 metros, para cada lado, para se for preciso accionar um plano de fuga eu poder sair em segurança com a minha família.
Com estes trabalhos e acções fiquei mais protegido, tenho a minha casa mais segura e o risco é menor.Assim é mais difícil ver os meus bens serem destruídos pelo fogo!


quarta-feira, julho 9

Funny Valentine (Chet Baker)



Dilacerante
esta melodia onde me refugio
lânguida
perturbante,
numa calma
de morte anunciada.

O Sol encobre
o luar do meu rosto
em pranto
as minhas mãos
cheias
do vazio que invento
para
me reencontrar
nesta fuga
de mim,
sem destino,
sem ti.

É quase
(A)gosto
das tardes escaldantes
em esplendor
vibrantes
numa dor por partilhar.

Há segredos que não se cabem em nós de tão grandes que são.

Os sonhos
de(V)erão
ser
perseguidos
até à exaustão?

Viajo...
Há dias que parti.
E não sei se regresso.
Não sei de mim.

Fecho os olhos.
Aspiro o ar fresco de uma manhã tardia.
Irei por onde a musica me levar.

Lentamente esqueço a cor de um olhar.

(A)guardo a noite
em reflexos
de lume
azul
assim.
o beijo prometido
com sabor a cerejas
proibido
suspenso
o gesto
do adeus
que não sei.

terça-feira, junho 3

Regresso


Pouco a pouco a calma regressa. Cruzam-se olhares t(ro)cam-se as mãos, breve despertar numa dança irreverente. Indiferente a cor do sol apenas o azul permanece. Em golfadas de luz nua respirares apressados passos em musica, inventados os gestos suspensos os dias, em que as noites são madrugadas tardias as vontades num salgueiro junto ao rio num riso cristalino. Acordo cedo. E regresso a casa.

terça-feira, maio 20

Fogo



Céu,
pinheiros ao vento,
nuvens de fumo.

Há um fogo por apagar no meu peito.

O Sol cai direito ao corpo
quente,
(da espera)
as mãos sem direcção,
vazias dos momentos
adiados,
pensados,
os gestos.

A musica trai a memória num despertar
de sentidos
sem nome,
proibidos.

Cai a tarde,
a luz impera
na sombra
impura
até doer.

sábado, maio 17

Mensagem recebida


...

"Sei que este amor é excessivo e deveria poder controlá-lo (ninguém esgota ninguém) que posso eu contra o facto de tu viveres sempre o presente e estares bem onde estás, com quem estás...

...
"Simplesmente sofro. Um dia acordarei talvez de olhos secos e frios e dir-me-ei: consigo viver por mim e sorrir sem ti e olhar a vida como um jardim ligeiro, onde há plantas e flores voltadas para mim. Conseguirei?"

...
"Agora dirás talvez a outro as palavras que nunca me disseste."

...
"E tu porque não vens ter comigo, mesmo que seja em sonho, agora que as bungavílias começam a acordar em banho de roxo e ouro pálido e do céu baixo se solta um vento quase caricioso, que vai deixando dedadas mornas por aí."

...
"Sei que numa relação desigual como a nossa...é preciso aceitar e fruir tudo o que me dás e nada exigir. Mas dentro de mim, embora nunca o exprima, exijo tudo e muito mais."

...
"Acabaria provavelmente por te perder, mesmo que não tivesses colocado entre nós este espaço tão grande, tão cruel, de silêncio,..."

...
"Tenho medo dos sonhos. até a minha escrita é confusa, como se fora a dor de um outro que me faz escrever."

...
"Dias de lenta tristeza, entre o desespero e a conformação."

...
"Fico... esmoendo lembranças, a querer-me desprender deste peso contínuo, desta mágoa, desta ideia obsessiva.
Deste amor."

...

em "Margem da Ausência", de Urbano Tavares Rodrigues


domingo, maio 11

Momento



O mar no olhar
na boca o sal
a doer,
no sol,

uma lágrima
e um cristal.

a floresta perde-se no sonho...
...e o rio transbordou de silêncio.

O grito da ave
(blues numa noite de Verão)
amanhã o céu em festa
azul,
hoje só uma canção.

Recuar,
chuva gélida
de solidão.

O momento é um instante
a musica
c
a
i
direita ao peito.

em uníssono com as maçãs
as violetas partiram em busca da chuva.

As cores misturam-se
e o sono vence.

(Morre-se com o Sol na mão?..)



domingo, maio 4

Minha querida mãe




Acordei sem o teu beijo. É assim há, faz em Junho, 22 anos.

Despertei com as palavras a sufocarem-me o olhar. Como acontece de cada vez que te lembro com mais intensidade. Porque sabes bem, que estás sempre comigo, sinto-te a presença e a protecção constante. E a maior dor é a falta do teu abraço, do teu contacto, do teu aroma a lilases silvestres (chegaste a saber que se tornaram as minhas flores preferidas?). A falta do teu olhar doce e um pouco triste (a tua neta herdou esse olhar). Mas o que mais falta me faz é o teu sorriso, esse sorriso que te vinha da alma, o sorriso que tinhas até quando te apetecia chorar. Esse sorriso de um amor imensurável e incondicional. Essa capacidade de amar que te tornou numa mulher admirável e inesquecível por todos os que te conheciam. Não sei de ninguém que não te adorasse. Até o pai, homem rígido e difícil na forma como manifesta as emoções, ainda te lembra como A Mulher, única e insubstituível, apesar das tentativas, porque não sabe viver sozinho.
E és única.
Fui ao baú onde guardo alguns dos teus pertences: as cartas que me escrevias, quando eu ia de férias para a tua aldeia, os postais, os recados que me deixavas de manhã, quando ias trabalhar, os postais que te escrevia no Dia da Mãe, o teu relógio, as tuas jóias, entre tantas outras coisas que intensificam a tua presença, em mim, comigo.
No mesmo baú, guardo os cadernos onde me tentei libertar em palavras, todas as tentativas de poemas que te escrevi.
Porque gostavas de me ler, continuo a escrever...

E hoje, mais um dia em que as lágrimas deslizam rápidas e quentes. Não pela tua memória, mas por não estares aqui. Por tudo o que não fizeste. Pelo teu sofrimento tão imerecido. Pela vontade inexpugnável que tinhas, de viver. Pela tua partida precoce, embora anunciada. Pela dor e raiva com que fiquei, por me teres deixado assim...
Pois nem imaginas o que levaste de mim, quando partiste.

Daqui a pouco, num tributo à importância que davas aos simbolismos, às tradições, vou-te visitar ao local, onde repousam os teus ossos, o que resta de ti em matéria. E, tentar encontrar a tua flor preferida, a açucena branca.Tem sido difícil, mas eu vou tentando.

Sempre que a minha (má) gestão do tempo me permitir, voltarei a este espaço, que vou construindo, de memórias.

Apenas porque há memórias que são mais do que isso. E porque sabes que, para mim, recordar não é viver (lembras-te das nossas discussões? De como ficavas assustada com os meus argumentos e a minha intempestiva rebeldia?). Pois recordar é apenas, existir. As memórias são importantes, fundamentais até, no nosso percurso de vida. Desde que não nos prendam ao passado, e nos deixem continuar a viagem das descobertas. De nós e dos outros.

Um beijo e até já. Vou à procura da tua flor. E esconder as lágrimas da minha família, que me conhece sempre alegre.


Nota: A tua neta, num gesto de puro amor por alguém que só conhece de fotografias e de conversas, fez uma tatuagem com a tua flor preferida.

quinta-feira, maio 1

Hoje é o primeiro dia...



Hoje é o primeiro dia do mês de Maio, o primeiro dia em que escrevo para um écran pensamentos a partilhar com quem passar por aqui.
Não quer isto dizer que abandono a escrita nos meus cadernos de capas duras, semi-rígidas, ou mesmo moles, capas coloridas ou negras, cadernos de vários tamanhos, alguns com folhas amarelecidas pelo tempo, pois albergam os meus pensamentos há já muitos anos. Assim como pétalas de flores secas e perfumadas.
E segredos. E sonhos.
Neste primeiro dia de um diário sem data, olho a vida com olhos de uma passageira em viagem ...
E avanço para a noite sem medo do dia seguinte.
Porque tal como este blogue, a vida está em constante construção.




A Primavera instalou-se em passos de dança
o prelúdio de um Verão
quente
de lágrimas de saudade.

É impressionante as palavras que não temos
quando as queremos
sensações soltas,
olhares furtivos,
emoções loucas
ou
simplesmente um virar de página.
Aberta
a imaginação,
o adeus adiado,
o momento dorido
os espelhos que não se ousaram quebrar
gestos suspensos,
musicas proibidas...

...passa o tempo a doer devagar.

Fecho os olhos para que as lágrimas não me traiam.
Tranco-me por dentro numa
tentativa de Verão
escaldante
o morno das manhãs
cálidos suspiros,
desejos secretos.

Quantas palavras desordenadas cabem no meu peito?
Quantas lágrimas escondidas em mãos alheias...

...pedaços de céu por recortar
numa partida anunciada.

Noites mágicas num adeus adiado.

Que saudades dos tempos que se adivinhavam
pueris
e
soltos
assim os anos que passam ou como a frase do poeta
-entre nós nunca haverá morte,
apenas noite-

Como se fosse fácil
permanecer
quando alguém parte,
num virar de página
irreversível
e estonteante.

Fica a música,
o perfume,
algumas flores secas
e a memória
de um tempo
em que as cerejas eram o vermelho da boca
e as palavras,
poesia.

E os rios que não param de correr,
assim eu
em tons de azul, lilás,
arco-íris de todas as cores
fortes,
numa explosão de sentidos...

...a saudade anuncia-se
dolorosa,
mas terna.

Recomeçar é a palavra.
Até um dia.
Até sempre.