quinta-feira, maio 1

Hoje é o primeiro dia...



Hoje é o primeiro dia do mês de Maio, o primeiro dia em que escrevo para um écran pensamentos a partilhar com quem passar por aqui.
Não quer isto dizer que abandono a escrita nos meus cadernos de capas duras, semi-rígidas, ou mesmo moles, capas coloridas ou negras, cadernos de vários tamanhos, alguns com folhas amarelecidas pelo tempo, pois albergam os meus pensamentos há já muitos anos. Assim como pétalas de flores secas e perfumadas.
E segredos. E sonhos.
Neste primeiro dia de um diário sem data, olho a vida com olhos de uma passageira em viagem ...
E avanço para a noite sem medo do dia seguinte.
Porque tal como este blogue, a vida está em constante construção.




A Primavera instalou-se em passos de dança
o prelúdio de um Verão
quente
de lágrimas de saudade.

É impressionante as palavras que não temos
quando as queremos
sensações soltas,
olhares furtivos,
emoções loucas
ou
simplesmente um virar de página.
Aberta
a imaginação,
o adeus adiado,
o momento dorido
os espelhos que não se ousaram quebrar
gestos suspensos,
musicas proibidas...

...passa o tempo a doer devagar.

Fecho os olhos para que as lágrimas não me traiam.
Tranco-me por dentro numa
tentativa de Verão
escaldante
o morno das manhãs
cálidos suspiros,
desejos secretos.

Quantas palavras desordenadas cabem no meu peito?
Quantas lágrimas escondidas em mãos alheias...

...pedaços de céu por recortar
numa partida anunciada.

Noites mágicas num adeus adiado.

Que saudades dos tempos que se adivinhavam
pueris
e
soltos
assim os anos que passam ou como a frase do poeta
-entre nós nunca haverá morte,
apenas noite-

Como se fosse fácil
permanecer
quando alguém parte,
num virar de página
irreversível
e estonteante.

Fica a música,
o perfume,
algumas flores secas
e a memória
de um tempo
em que as cerejas eram o vermelho da boca
e as palavras,
poesia.

E os rios que não param de correr,
assim eu
em tons de azul, lilás,
arco-íris de todas as cores
fortes,
numa explosão de sentidos...

...a saudade anuncia-se
dolorosa,
mas terna.

Recomeçar é a palavra.
Até um dia.
Até sempre.

7 comentários:

Fátima disse...

Obrigada Ana! Prometes-te tomar chá comigo...aqui estou num chá no deserto.Bom começo sem dúvida...lindo o teu poema!Espero com alguma curiosidade por mais trabalhos teus. Beijinhos WAHINE

Paulo Lopes disse...
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VÓNY FERREIRA disse...

Fantástico, lindo, de uma sensibilidade extrema e sobretudo com aquela clareza que captamos facilmente em tudo quanto é genuíno e sai... das profundezas da alma.
Anamar, aqui estarei à espreita dos teus sonhos, para que me seja permitido sonhar um pouco como quem nada em águas profundas só pelo prazer de nadar.
Obrigada por me mostrares o teu canto e... continua amiga! Escreves muito bem!

VÓNY FERREIRA disse...

Adorei o que escreveste. Há uma clareza fantástica nas emoções que descreves e a forma como o fazes toca-nos com uma facilidade arrepiante.
Força... agora há que continuar porque quero voltar aqui muitas mais vezes!
Vóny Ferreira

Paulo Lopes disse...
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Iveta disse...

Profundo como o mar! Profundo como tu!
Que nunca te faltem os sentimentos, as emocoes, os momentos que sao Vida.
Que nunca te faltem as palavras...
Boa sorte para este teu novo espaco.
beijinhos

Maria disse...

Já vim aqui meia dúzia de vezes.
Releio-te e não quero acreditar que seja um fim, aqui. Não quero acreditar que o face esteja a devorar os blogues, é isso...

Beijos.