quinta-feira, outubro 9

Fénix
















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E eis que regresso.

Renascida na
canela,
salva
e mirra,
num confronto
com a minha morte
há tanto
anunciada.

Eis que regresso.

Em cores
de asas,
em voos
proibidos
numa aprendizagem
de tons
roxo, azul, vermelho, branco
e
dourado.

Promessas cumpridas,
verdades omitidas,
palavras repetidas,
amizades reprimidas,
u
m
a

l
á
g
r
i
m
a
com sabor a café frio.

Regresso.

O peito aberto para os amigos que tenho ignorado.
As mãos estendidas para os os carinhos que me têm aguardado.


A boca ávida
de partilhar as aventuras
desta viagem,
alucinante
fascinante,
experimental,
em que por algum tempo
me perdi
de mim.

Regresso.

O olhar
ao encontro
do
olhar
que ainda é da cor do meu.


Regresso.
Ao chá de menta
que se mantém quente
numa espera
incandescente,
na mesma mesa
do mesmo Café.

Regresso,
segura
e
altiva,
nas minhas botas de cano alto,
em passo apressado
pelo tempo que não vivi.


Regresso,
como se não tivesse partido,
feliz;
apesar da viagem
me ter dividido,
num reencontro comigo.

Estou aqui.

(Apaixonadamente a viver cada dia, como se fosse o último).



20 comentários:

Liliana Maciel disse...

UI amiga de cá, de lá....gostei do teu poema

Promessas cumpridas,
verdades omitidas,
palavras repetidas,
amizades reprimidas,

Amizades reprimidas? isso é que não, há amizades que não se devem reprimir..... aqui tens a minha, aceita-a.....

Beijinhos Ana
Tudo de bom para ti

Ana disse...

Lindíssimo este teu blogue,parabéns.
bjinho:-)

em azul disse...

Parece-me um regresso em cheio e cheio de força. Regressa!
Um abraço
em azul

Raul Martins disse...

Belíssimo poema musicado com as belas cores das fotos do Paulo...
só de coração aberto poderemos viver apaixodamente cada dia...
.
carpe diem!

Haere Mai disse...

Promessas cumpridas,
verdades omitidas,
palavras repetidas,
amizades reprimidas,

Sou pelo dever cumprido
abomino omissões da verdade
as palavras devem ser repetidas
até serem ouvidas
reprimir amizade...este conceito arrepia-me, junto-o á omissão da verdade.

Do teu poema congratulo-me pelo teu regresso a ti, pelo teu reencontro, que te sintas feliz, e que permaneças para sempre!

Pelas tuas verdades omitidas, vê o quanto caminhas-te desencontrada num tempo sem tempo.

Liberta-te e PERMANECE feliz

Beijo azul...Sempre!

As Chamas do Fénix disse...

Bolas .... amiga este mundo dos blogs prega partidas engraçadas... o beijo azul avisou e eu sorri... vai ao meu blog e entenderás o porque ehehehe...

Uma Grande Chama para ti...Beijos

Utopia das Palavras disse...

Um regresso...
é esperança
é futuro...
é bonança!!!!!

Beijo

Ausenda

Maria disse...

Mas só assim é possível VIVER, mesmo: cada dia como se fosse o último...

Um beijo

Paulo Lopes disse...

Morte? Vade Retrum, cruz credo...

Espero, minha amiga, que o entusiasmo de te ler não me leve a hifenizar de forma despropositada, se me acontecesse porém, não seria o primeiro.

Que a Fénix renasce e revigorada todos sabemos, que as cinzas não deixam marcas mas com elas se pode escrever é a parte importante e quero reter, deste texto.

Escreveste logo exorcizaste, espantaste o fantasma que te espera ao virar de cada esquina do desassossego próprio de quem espera a morte com hora marcada?
Longe de preocupado pressinto que trocaste certezas menores, passageiras e desajeitadas, por outras mais intensas e preenchentes, absorventes, eloquentes e sobretudo que se possam contagiar à(s) pessoas certas numa propagação saudável, sem luto nem saudade, plena e forte, arremessada. (Esta parte é de José Gomes Ferreira, sim).

Vejo na tua Fénix o revigorante renascer e não um fim prematuro e desajeitado. Mas eu sou assim, optimista e confiante.

Se possível;
Exige sempre que sejam cumpridas as promessas.
Que as verdades se amaciem até se tornarem inofensivas especialmente se passadas e sem voz.
Que as palavras se repitam sim mas que sejam sempre novas, como se as ouvisses pela primeira vez, desde que te sejam agradáveis.
Que as amizades se soltem no seu jardim e não procurem saltar muros que lhe são demasiado altos e levam à hifenização despropositada.
E que o café frio possa sempre ser temperado por uma lágrima(água quase tudo e cloreto de sódio, sim)de compreensão, apaziguadora.

Tudo isto sem olhar para trás onde o chá que aprecias quente, já perdeu todo o calor, cor e melodia que também nunca foram suas características e muito menos principais.

Beijinhos

Paulo Lopes disse...

Post Scriptum....

Noto com agrado que as tonalidades vermelha e branca marcaram presença lançando a esperança no fim da, maniqueísta, ditadura no monocromismo cianótipico que te caracteriza.
Que dizer além de expressar regozijo? Talvez... Viva o Benfica?

SMA disse...

Renascida.
.
.
.
queimante fenix
.
.
bjo

Tu Cá, Tu Lá disse...

Um regresso simplesmente cativante.
As cores de ti...

Lindo poema

Beijos
Dolores

TINTA PERMANENTE disse...

Passei no dorso de um qualquer acaso. Apeei-me, deambulei e... gostei!


abraço!

tufa tau disse...

a vida é uma composição de cores. se hoje estou de negro vestida, amanhã trajarei de branco. quem sabe de vermelho? uma entrega a uma paleta infinita de tons. uma entrega a dezenas ou centenas de letras em união, uma mensagem. uma entrega a uma sinfonia ou uma pequena balada. por isso, uma composição. pinturas, poemas, pautas... trago o coração aberto.
trago o coração fechado numa corrente de sim e não. porque lhe fazemos promessa para não cumprir.
não! eu trago apenas o coração abandonado!


beijo

Graça Pires disse...

Eis que regresso.
Mesmo com palavras repetidas. A escrita ao encontro da escrita. Para dizer como é lindo este poema.
Um beijo Maria.

maria m. disse...

um regresso pleno de vida!

Anónimo disse...

Obstruído o caminho da transparência
só me resta reunir os fragmentos do sol nos espelhos
e com eles junto ao coração
atravessar indiferente a desordem matinal dos mastros.

Quando mais envelheço mais pueril é a luz
mas essa vai comigo.

Eugénio de Andrade, Catavina

(devolvo o poema e deixo um beijo)

Twlwyth disse...

Urge recuperar o tempo perdido. A sensação de renovação é maravilhosa e sentir que a podemos partilhar com quem nos entende é ainda melhor.

Beijo

lamia disse...

Como nos poderíamos reencontrar se jamais tivessemos a noção de nos termos perdido?

blue disse...

obrigada, AnaMar.
um pleno regresso, são os meus votos.