quinta-feira, novembro 13

Despedida

Fotografia de Luís Ferreira


Abro a janela,
entra em mim um pedaço de horizonte
uma árvore livre de Outono..

A música continua num quarto amarelo...
a chuva senta-se comigo junto à lareira
que invento,
num fogo que não sei...

O Sol acentua a confusão,
o cinzento das nuvens
uma flor amarela.

Há alguém no meu mundo
e continuo só...

Um olhar vazio
palavras antigas,
uma sensação estranha
de tédio
-não descoberta-
embora haja a aventura de novas emoções.

O que dói
é a indiferença
que eu não finjo
porque
não sei

não quero
um
não sentir
ternura
um beijo
e o pensamento longe
um abraço sem música

quem sou eu?

Será que alguém me ajuda a permanecer?

Não sei o que quero,
o que sinto,
o que sou-
- alguém que me entenda-
uma ternura
especial
uma lágrima
no mar.

É agora o meu tempo?
ou é Dezembro
porque a neve também cai no deserto?...

Uma lágrima de desespero,
vidros partidos,
uma palavra amiga...
...onde?

Uma guitarra,
outro mundo,
um breve entender.

É urgente a escolha
persiste a confusão,
prisão,
mãos sem vida
numa praia de manhãs claras
um suspiro,
não pensar,
um olhar triste.

Quero partir
isso eu sei
mas há o medo da espera,
do desencontro...

...e da fuga.

22 comentários:

Maria disse...

Hoje não sei o que te dizer.
Porque há palavras aqui que podiam estar lá, ou já lá estão faz tempo.
Porque há palavras aqui que me falam de um tempo que não quero lembrar.
E hoje não sei o que te dizer.

Um abraço

Graça Pires disse...

O outono: um lugar desabrigado e frágil...
Beijos.

Haere Mai disse...

Não sei o que quero,
o que sinto,
o que sou-
- alguém que me entenda-
uma ternura
especial
uma lágrima
no mar.

Apesar do tempo continuas igual.
Faz algo por ti! Ou fica ou parte.
O tempo urge...tu sabes!

beijo azul e outros beijos

Lúcia disse...

Solidão e estar só.
Um abismo de diferença.

Beijos grandes, pezinhos

Canto da Boca disse...

(Sussuro para não quebrar a emoção causada por teus sentidos... Tudo é tão verdadeiro e tênue, parece que o fio fino que une-te, está abismando. Belo, belo! Apesar de melancólico. Um beijo cheio de ternura!)

Marta disse...

Conheço a sensação...
Sentir o que falta, mas ao mesmo tempo, não saber bem como preencher essa falha...
Estar na corda bamba...
Obrigada pela visita...
Beijos e abraços
Marta

Pedro Meneses disse...

se tenho a certeza de que souberam que aquelas eram perguntas minhas..?

não falo por ninguém...minhas palavras são minhas e de mais ninguém...

Beatriz disse...

"Há alguém no meu mundo
e continuo só..."

Não existe dor maior que esta, amiga, bem sabemos!

Todo o poema, sentidamente belo!

Fica um raio de luar nos teus sonhos e um beijo no coração.

Utopia das Palavras disse...

e porquê
eu?
porque vais
e eternizas
a saudade
e o meu silêncio
fica...
mudo
e as folhas
do teu livro
esquecido
ficam por voltar...!

Beijos

Vieira Calado disse...

Gostei do seu poema, leve e longo.

Bjs

Rafeiro Perfumado disse...

Espero que não tenha doído muito, quando o horizonte entrou. ;)

mfc disse...

Somos uma miscelânea de emoções e sentimentos.
Somos seres complicados.

NOCTURNO disse...

A partida por vezes é necessária, ir ao encontro de novos mundos e sentires, mesmo em outro lugar, irás sentir a tua solidão, o teu mundo onde guardas tudo aquilo que não dizes.

Ficamos sós, resguardados do que nos rodeia, são esses momentos em que nos encontramos e sabemos que somos únicos... verdadeiros... sinceros...

Ás vezes abrimos os portões do nosso pensamento mas há sempre algo que nos leva a encerrar.

Não é um mundo qualquer, é o nosso mundo.

Belo e infinito.

Beijo nocturno

Teresa Durães disse...

sabermo-nos é difícil mas partir é levarmo-nos atrás

as velas ardem ate ao fim disse...

Que mistura de emoções!Afinal somos feitos disso.

um bjo

Filoxera disse...

Por vezes, ainda que seja difícil, trona-se imperioso enfrentar certa situação. Arriscar, deixar o medo para trás das costas.
Beijos.

em azul disse...

As partidas são chegadas a outro lado...
Não demores
Um beijo
em azul

Apenas eu disse...

O que dizer perante tamanho sentir?

São fases... talvez...

Deixo-te aqui um abraço e um sorriso.

Uma estrela errante disse...

Olá,

Um manto de palavras tecidas na alma.

Gostei de te ler.

Beijinhos

Isa

Aníbal Raposo disse...

Esta foi aminha

DESPEDIDA

Como voltar sem te perder nesta viagem?
Como fazer p’ra te matar dentro de mim?
De cada vez que apunhalo a tua imagem
Tinjo o meu peito com meu sangue carmesim...

Como afastar o que nasceu p’ra ser unido?
Como furtar dum céu azul o astro-rei?
Como expulsar a tua voz do meu ouvido?
Como dizer ao coração que cumpra a lei?

Como viver com teu fantasma em minha casa?
Como varrer da minha pele o teu odor?
Como enterrar-te, de uma vez, em campa rasa?
Como é que eu faço? Diz-me tu, oh meu amor...


Lisboa
2003-07-02

Paulo Lopes disse...

Na extensão das tuas palavras o arrastar de uma despedida indesejada. Todas as despedidas são igualmente dolorosas ou não precisariam de existir? O acto de despedir é o fechar da tesoura que corta o fio de Ariane que te abandona ao escuro na gruta escura e fria do existir-com-um-amigo-a-menos?
Não. Apenas porque foste buscar um Sol (é por isso que o usas? Para iluminar as palavras quando se tornam demasiado sombrias?) e flores amarelas COLORIDAS.

Parte sem medo, luto, saudade ou espera quem conhece a virtude que habita em todas as fugas?

João Videira Santos disse...

Um poema-crónica.
Diferente.
Interessante.