quarta-feira, fevereiro 4

Sozinha

Carlos Pinto Coelho


Penso-te num mar tranquilo, algumas ondas de sobressalto em ruídos que perturbam o momento.

O sol aquece a tua memória, desordena-me os pensamentos... Há tanto tempo que não te escrevo...

A tua presença mora na tentativa do esquecimento, no vislumbre de uma nova perspectiva em que o nós é possível, no sonho adiado.

Meu amor impossível, provável, possível às vezes, meu sentir inventado, como dizer-te que o nós só sobrevive nesta marginalidade construída para que permaneçamos, neste jogo de esconde-esconde, neste desejo proibido?

Como dizer-te que Setembro há-de vir, acordar-nos para uma realidade que tentamos camuflar, para o dia a dia das nossas obrigações, num enterrar fundo dos nossos sentires...

Como dizer-te que já não te espero, porque teimo em acreditar que jamais virás, eu que sei que já te deste todo...

Um amor tranquilo, maduro...sim e onde nos levará esse sentir ? Nesta altura das nossas vidas, que projectos podemos iniciar juntos? Não, não duvido do que sentes, estou apenas a ser pragmática.

Agora sou eu que estou um pouco baralhada... Preciso de me afastar, de me encontrar, sozinha.

18 comentários:

mfc disse...

Uma carta em que o "sozinha" é temporário!

O Profeta disse...

Às vezes reencontramo-nos quando ficamos sózinhos...


Doce beijo

O Profeta disse...

Obrigado...


Beijinho

as velas ardem ate ao fim disse...

Percebo te.

um bjo

pin gente disse...

podia fazer copy/paste do comentário que me deixaste... é o que diria agora.

e também deixo 3 beijos
luísa

Maria disse...

Escreves intensamente. e eu gosto...
:))

Beijo
(mas também me angustio, às vezes)

Princesa disse...

Nunca é tarde para nada, muito menos para o amor!!!

Um beijo e arrisque sempre!

Tchi disse...

e eu que vinha para tomar um chá

:)

Eduardo Aleixo disse...

Já me aconteceu. Acho que acontece a todos sentir a necessidade de nos encontrarmos...entrando dentro de nós, em sossego.
Eduardo

vida de vidro disse...

Entendo-te. E como... **

Anónimo disse...

"Ralhou-me, embalou-me, acarinhou-me. Mas há abismos de onde ninguém consegue tirar-nos. Temos de ser nós mesmos a sair de lá, sozinhos, passo a passo. Eu ainda estou nos primeiros passos."

Françoise Giroud, in “Meu Amor Muito Querido…”

jorgeguedessilva

Graça Pires disse...

"Meu amor impossível, provável, possível às vezes, meu sentir inventado"...
Mas outro Setembro virá...
Um beijo.

Canto da Boca disse...

Eu nem sei o que dizer diante dessa vastidão que és.... Texto belíssimo!
Um beijo, querida.
;)

Anónimo disse...

A verdadeira coragem, evita mais perigos que o medo

e era só isso, partir, quebrar e começar de novo.
Dia após dia,

num sonho de vida eterna.

E era tão simples


O teu poeta

Anónimo disse...

tinhamos tanta coisa um do outro,

poetaeusou . . . disse...

*
bela narrativa
,
que te encontres . . .
,
conchinhas,
,
*

O Teu Poeta Com Cara disse...
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Paulo Lopes disse...

Nem temerário nem timorato, tal e qual a luz de uma vela acesa no fundo da escuridão que se alimenta de pretéritos desajeitados consumindo-se num silêncio sem contra-partidas.

Nada é eterno, só a matéria impessoal e fria. A consciência dos momentos morre com a carne, por mais que o lamentemos.

Volto à pedrinha na fila dos poetas sem nada para dizer, sentado, lendo os filósofos em edição económica, de bolso, entregue em conjunto com uma saqueta de 12 cromos do futebol, filósofos que me fazem sombra nos dias em que menos preciso.

Beijo.