segunda-feira, fevereiro 23

Tempestade

Fotografia de José Maria Pimentel


Afastas-me com a pressa
que me faz correr
sem querer,
beijos perdidos
pela impaciência
de
quem não sabe esperar.


T(r)oco todos os segredos
ao de leve
porque te sei de cor
e
apesar de tonta pela luz
da chama que teima em arder
assim
a dor no meu peito
em ferida
pela partida anunciada
sem
regresso,
as memórias do que não teremos
irrompem em sal
líquido
quente,
arrefecido
pelas palavras
que não quero,
na certeza que tens
em decidir
numa exigência de mim
eu que me dou
sem que peças,
eu
que sinto
o que não deve ser sentido,
por isso
não tem nome
este amor
impossível
proibido,
porque as promessas
não se cumprem.


Estou cansada de viver
porque sem ti
a vida
embrulha-me
no ciclone,
transforma-me em gelo
as lágrimas que recuso
o Sol não aquece
e
eu perco-me de mim

(e não pretendo regressar).

Em tempestades de afagos
o meu cabelo penteado
está revolto,
irrequieto
pela falta dos teus dedos
que tentam o esquecimento.

Ergo o olhar
o céu azul é cinzento
as minhas mãos
já não me pertencem.

O meu corpo soltou-se de mim.

Eu não sou eu.

Deambulo pela floresta que é a minha cidade.

E existo apenas com a solidão que me deixaste.

16 comentários:

Graça Pires disse...

Um poema de amor e solidão...
Bonito!
Beijos.

Anónimo disse...

Não tenho palavras, estou enternecida, pasmada, tonta, com tanta beleza e profundidade...

Bjinho

Et

Maria disse...

Nenhum amor é proibido, aliás, todo o amor é sagrado...

Um beijo

mfc disse...

Um poema rodopiante que nos leva à tristeza de um desencontro.

alice disse...

obrigada pelo seu comentário n'a tradução. gostei do que escreveu e também deste poema. volto depois para melhor conhecer as suas páginas. um grande beijinho.

Tony Madureira disse...

olá,

LINDO!!

Bjs

Marta disse...

Uma tempestade é sempre sombria....
Principalmente quando a solidão se aprofunda ainda mais....
Gostei muito..
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

maria m. disse...

o desencanto amoroso.
um beijo.

Nitrox disse...

Um lindo poema e uma belíssima foto.

Fica Bem!

Pedro Branco disse...

A solidão que me deixaste cobriu-me o peito
De todos os segredos que tinha guardados
Rasgam-me os passos no peso das entranhas
Volta e meia sorri-me com manhas e artimanhas
Porque nunca mais de mim saíste. Ficaste.
Com a solidão que me deixaste.
Os tempos revolvem-se na noite e adormecem
No tormento de não haver vazio tão cheio
E nunca mais páro de mim; nunca mais a viagem acaba ou começa...
E mais um muro se constrói e sem guindaste!
Por causa da solidão que me deixaste...
Sou um rio em tempestade e sem rumo
Um labirinto no precipício que me assalta os dedos
Um longo e escuro silêncio
Que me deixa surdo de tamanha dor...
E assim ficaste. Com a solidão que deixaste...

Aqui - Ali - Acolá disse...

Belo poema profundo e com a palavra amor que tudo vence e por vezes não é compreendido.

bjos..

Aníbal Raposo disse...

Cara AnaMar

Lindo poema de amor.

Beijos

BC disse...

Um amor retratado com tristeza, mas com bonitas palavras,que seguiram o caminho das estrelas até encontrarem o sorriso e não o desalento!!!!
Abraço
Isabel

pin gente disse...

deixo apenas o aroma de uma presença

beijo

maré disse...

deixaste.me o sal

do desencontro

o sono demorado do sol

.

e sou

um relógio

parado

em hora nenhuma

______

obrigado

.
e um beijo

Tchi disse...

O amor no vazio de uns braços abandonados do abraço.

Abraço-te daqui:

»» http://estendaldaalma.blogspot.com

e daqui

»» http://perolasdeouro.blogspot.com