domingo, maio 3

Mãe Para Sempre

8 de Março

Mãe continua comigo

o cansaço toca-me os ombros
pesa-me o corpo
fecham-se as pálpebras
numa tentativa de paz.

Olha,
refresca-me os cabelos
com um só toque de mão
minha mãe
vou estender a roupa
podes continuar sentada
neste leito
onde todas as noites
te espero sem dormir.


9 Março

As lágrimas vieram assim
sem que eu fechasse os olhos
deslizam rápidas e quentes
em uníssono
com os sinos da tua aldeia.

É uma manhã
estranha
de cinzento azul evento
quanta
chuva nos meus olhos

minha melhor amiga
nem imaginas o que levaste de mim
quando partiste...

12 Março

Liberto-me assim
sem pensar no que escrevo
palavras letras juntas
como tu e eu éramos!

Agora,
sinto-me perdida
sem ti,
nada faz sentido.

Então, uma necessidade brutal
de te apertar contra o peito
suave acordar ao som da tua voz
quando sorrias para mim
quando para mim vivias.

As lágrimas também são nó na garganta
e no corpo
e muito principalmente
DOR
na vontade de partir em busca de ti.


A água cai
pau-sa-da-men-te
numa humidade opressiva
de cinzento quente.

É uma manhã estranha
esta
em que tento desesperadamente
não te lembrar.

Mas como posso esquecer-te, se fazes parte de mim?


(Mãe, eu não te encontro por estares tão dentro de mim?!...)


Sinto-te a pele...

...E o meu corpo febril de espera
de ti
e do verão.
Há cerejas murchas
de tanta água salgada
nos meus olhos
sem cor.

A tua imagem
recorta-se incerta
na minha memória
(tão certa que eu estou de ti
e da tua partida se regresso).

Murcham as flores;
que Primavera
que dor
que saudades de
ti, mãe.



Penso-te em cascatas de lume.
É um tempo estranho este
de dor e paixão.

Lábios rubros
sabor a maçãs
verdes
os anos
e as árvores
numa tentativa de Primavera precoce.



Em passos de dança
rolam as lágrimas
por entre nós
até ti
eu
sinto-me
tão só.
Volta, por favor.


20 De Março

O fogo das lágrimas
nos espelhos que não ousámos estilhaçar.

Lembro-te folha a folha
leve agitar de árvores
em verde
de Primavera
e
perfume.

O canto do cisne na memória do lago maldito.

Era uma vez
um jardim sem flores
que eu roubo
e
distribuo
com o olhar
sempre que te penso.

É mais uma manhã de azul e gelo.

Tanta coisa por dizer.

Misturo as palavras com as lágrimas
e já nem sei o que te diga.

Amo-te muito.
É assim
para sempre.

14 comentários:

Maria disse...

Hoje não tenho palavras para ti. Às vezes não tenho, mesmo...

Deixo-te um grande abraço
... e um beijo

Teresa Durães disse...

sempre a relembrar as nossas mães!

mfc disse...

Lindíssimo!
Posso dar.te um abraço muito terno?!

Delfim Peixoto disse...

Costumo escrever ... hoje, senti e só posso mandar um beijo do tamnho do Mundo!

Sofá Amarelo disse...

Não sei porquê... estou a ouvir repetidamente «Perfeito Vazio» dos Xutos e acho que não será por acaso... depois de ler repetidamente o que escreveste sinto o que é a... ausência presente...

O Meu Sofá tem um lugar - para sempre - reservado para ti!

Ana disse...

Obrigada por teres comentado no meu blogue.

Depois vim aqui conhecer-te e fiquei com um nó na garganta.

Beijinho

Pedro Branco disse...

Estes hinos às mães são sempre tocantes. Porque fazem parte da pele.

Beijo.

LBardo disse...

Tanta coragem ao revelar tanta intimidade.

Sei o que podería dizer-te, mas não o devo. Só sinto.

Anónimo disse...

Cloud

Weigh me the absence
of your kisses
dependent, hidden,
unhurried

Lack of time certain
Your Wake
the esgar your voice
husky
heat of water
in which you engage
in imagination
that is just me.

Keep our conversations
Looking for the next
nights in the winter
surrounded by all the cold
sides, except one,
peninsulas of our existence
linked to acts of love
and union bodies
birds which liberates
in the crowd.

Step to the side looking
I get the ban on
you,
mystery of winter
that has dragged the summer
leaving splashes
the clouds
in corners of the imagination
who agree with
a slight movement of body
dancing,
provocative,
silky and mysterious,
in cadences of odor
and mixed flavors
anxiety in demand.

As the
Cloud
hidden within the imagination.

Kiss Kiss

AnaMar (pseudónimo) disse...

Anónimo

Thanks.
Already knew the Portuguese version.
Get a life!


Thousand and one kisses

Luis F disse...

Mãe só há uma... linda homenagem às nossas mães e principalmente à tua.

Gostei muito de ler este belo momento.

Luis

Graça Pires disse...

Comovente e sentido poema! Só nos resta o silêncio...
Um beijo.

Laura disse...

E eu daqui saio com os olhos molhados...

Princesa disse...

:( ...

Beijos...muitos!!!