quarta-feira, junho 24

A minha morte



Não te demores em mim.

O dia fecha a noite com uma chave de prata.

Veludo azul
é a minha pele de seda
quando o teu apetite devora a tarde
e os perfumes se colam
aos lábios rubros de desejo
em galopes alados
de toques de asas no meu peito.

Não te demores em mim.

Que a vida se esvai aos poucos
e o ar que me sustenta
pesa nos ombros.

Não te demores em mim
passa o tempo a doer devagar.

Se partires agora
nem darás conta
quando eu já não ficar.

Apenas um sopro de fim.

E a paz regressa
numa alegria de mim.

12 comentários:

MZ disse...

Faz das asas o futuro. Do veludo azul... pele trigueira. Que dos lábios rubros se soltem sorrisos e demora-te... aqui no teu deserto com o chá da vida!

xi

LBardo disse...

A pele velha ficou para trás.

(Re)nascer. A demorar, a doer para sentir(-se), viver.

Sempre renovada, sempre diferente, sempre sedutora e cruel.



Bj.do meu parapeito

PAS[Ç]SOS disse...

A vida esvai-se a cada fracção de tempo, arrastando consigo partículas de prazeres que nos doem ver partir. Mas há que abrir o peito ao vento, senti-lo tocar-nos a pele, refrescar-nos os lábios e, sem abrir os olhos, perceber que há uma outra mão que se abre para acolher nossos dedos.

meus instantes e momentos disse...

é muito bom ler voce.
Gosto daqui.
Maurizio

O Profeta disse...

Nasceu!
Nascem a todo o instante
Os sentires vindos da alma
Tatuados a cada semblante

Um beijo na tua procura
Um abraço fica suspenso
Um sorriso desponta da tristeza
Um olhar prende o momento


Boa semana


Doce beijo

Teresa Durães disse...

por fim, a libertação

As Chamas do Fénix disse...

Amiga...

Nem imaginas como o teu texto passou pelo meu sentir...

Uma Grande Chama para ti...beijos

mateo disse...

Como não demorar em ti?
Beijos.

Eduardo Aleixo disse...

Poema de veludo, de cetim, de sopro, de jasmim, de sol poente e orvalho de manhã. As águas são uma tela de cores e estações, desde a bruma ao sorriso da manhã, desde Novembro ao doirado tórrido das espigas do mês de Julho. Depois, chegarão de novo os nevoeiros de Novenbro. E de novo o despertar em Abril com a canção dos pássaros. Assim o teu poema de jasmim. Com letras triste-alegres de cetim.

Anónimo disse...

Ana
… não aceito (est)a resposta (?)
porque odeio a morte, a degradação, o fim
- o inevitável, o abismo, o frio!

(sei que por vezes o sofrimento é demasiado
e que a alma pode doer mais do que o corpo…
mas a distância apaga o fogo e a tempestade)

Assim, não me fales na tua
(imaginada, espiritual, emocional…)
que acendes a tristeza
e me atiras para o deserto
em que secam as lágrimas

Não há paz que me acalme
…nem música que me ilumine

Preciso que sintas esta flor (de palavras)
Prosseguimos no caminho do sol?

Com a amizade (infinita)
que cabe em dois corações

da amigantiga

Arabica disse...

"E a paz regressa numa alegria de mim", tão belo AnaMar!


E a todos os dias, a nossa noite adormece de forma diferente.

Beijos

▒▓█► JOTA ENE ® disse...

" A minha morte " mas que titulo mulher, lol... mas bonitas palavras.

Bjs _______ fotografados!

Bom f-d-s!