Segunda-feira, Junho 27




Dói-me o cabelo


(não a cabeça)


mas o cabelo que cai sem ser Outono


chuva em meadas de fios (a)dourados pelo tempo


que os teus dedos já não penteiam


em suaves sobressaltos embaraçados pelo vento


cabelos livres


cabelos lisos, tão lisos


searas de trigo amadurecidas pelo teu beijo (a)guardado


rios de luz que o sol reflecte


águas revoltas no amar de corpos


cabelos meus e teus em toques de almas


cabelos que se perdem no tempo


em que as carícias


escasseiam


escorregam


pelos cabelos alinhados


finos


ralos


penteio-me no outro lado do espelho


onde


permanecem inquebráveis


os cabelos


com que te revolvo os dedos


as mãos


o olhar


o corpo até ao coração.



Sorrio aos fios dourados


com que teço gestos


de sim (n)em não.



15 comentários:

Maria disse...

Planto os fios de prata em terra vermelha. regada pelo suor de quem a trabalha e pelo sangue de quem a libertou. talvez um dia nasçam estrelas...

Beijos

O Impenetrável disse...

lindo poema.

abração!

mfc disse...

Um poema lindíssimo sobre o amor e a sedução que os cabelos sempre provocam!

Mar Arável disse...

Cabelos que deslizam pelos dedos como um rio com margens e pontes

lobices disse...

“… deixa enroscar-me nos teus braços… coloca tua mão na minha cabeça e enrola os teus dedos nos meus raros cabelos… baixa um pouco a tua fronte e beija a minha boca… deixa enroscar-me no teu colo… sentir a tua maciez e ver de baixo para cima o teu sorriso… ver-te junto a mim e saber-te ali comigo… de tal forma que quando olhas eu sou o teu olhar… de tal forma que quando sorris eu sou os teus lábios… de tal forma que quando me afagas eu sou a tua mão… de tal forma que quando me tocas eu sou o teu corpo… de tal forma que quando me olhas eu sou o teu olhar… deixa pousar o meu cansaço na tua serenidade e sentir a tua paz na minha guerra… baixar as armas e sentir a trégua na tenda que se ergue no deserto da batalha… humedecer as mãos na brisa da água que corre no ribeiro que nos circunda… lavar a cara na frescura do vento que nos embala… sentir que nem tudo é real mas que o sonho nos preenche… sentir que, por vezes, só o desejo chega, só o querer basta, só o pensar nos satisfaz… deixa-me ser não só a realidade mas também o que não somos… deixa-me olhar para dentro de ti e ver-me inteiro… deixa-me tocar-te com o sonho e saber-me parte dele como sei que ele é uma parte do meu eu verdadeiro…”

Vieira Calado disse...

E, pelo que se me é dado perceber,
a autora tem um belo cabelo! rs rs rs


Bjsss

jorge vicente disse...

gestos de abraço
gestos de reverência perante a tua poesia e o teu Ser!

muitos beijinhos!
jorge

Pena disse...

Maravilhosa Poetiza Sublime:
"...os cabelos
com que te revolvo os dedos
as mãos
o olhar
o corpo até ao coração.
Sorrio aos fios dourados
com que teço gestos
de sim (n)em não..."

Delicioso. Terno. Mágico.
Sem palavras mais: fascina!
Parabéns sinceros.
Linda.
Abraço de pureza e respeito.
Com admiração sempre e constante.

pena

É fabulosa, poetiza amiga.
Bem-Haja, pela honra da sua pura amizade.
Excelente!

Marta disse...

O desejo espalhado no corpo...
Em que se ama tudo....
Adorei....
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Ana Tapadas disse...

Um poema muito belo, bem como os das edições abaixo.
Gostei muito do conceito do blogue.

selma disse...

Lindo poema,vim conhecer este espaço ,convido para conhecer o meu blog,beijo

Daniel Costa disse...

ANAMAR

Em vez de dores de cabeça, dores de cabelo. Talvez se adapte à espera que a seara nos fortaleça. Poema belo, a não nos deixar indiferentes.
Abraço

legivel disse...

Quem tem cabelo pois decerto
dele se pode queixar
toma um chá no deserto
e já se pode pentear.

Não é o meu caso; sou calvo e bebo café na cidade.

Teresa Durães disse...

a sedução.... tenho medo dela

► JOTA ENE ◄ disse...

ººº
Dói-te o cabelo ??? Mais uma questão para pôr ao meu psicanalista, é p'ra isso que lhe pago :)