Dói-me o cabelo
(não a cabeça)
mas o cabelo que cai sem ser Outono
chuva em meadas de fios (a)dourados pelo tempo
que os teus dedos já não penteiam
em suaves sobressaltos embaraçados pelo vento
cabelos livres
cabelos lisos, tão lisos
searas de trigo amadurecidas pelo teu beijo (a)guardado
rios de luz que o sol reflecte
águas revoltas no amar de corpos
cabelos meus e teus em toques de almas
cabelos que se perdem no tempo
em que as carícias
escasseiam
escorregam
pelos cabelos alinhados
finos
ralos
penteio-me no outro lado do espelho
onde
permanecem inquebráveis
os cabelos
com que te revolvo os dedos
as mãos
o olhar
o corpo até ao coração.
Sorrio aos fios dourados
com que teço gestos
de sim (n)em não.
15 comentários:
Planto os fios de prata em terra vermelha. regada pelo suor de quem a trabalha e pelo sangue de quem a libertou. talvez um dia nasçam estrelas...
Beijos
lindo poema.
abração!
Um poema lindíssimo sobre o amor e a sedução que os cabelos sempre provocam!
Cabelos que deslizam pelos dedos como um rio com margens e pontes
“… deixa enroscar-me nos teus braços… coloca tua mão na minha cabeça e enrola os teus dedos nos meus raros cabelos… baixa um pouco a tua fronte e beija a minha boca… deixa enroscar-me no teu colo… sentir a tua maciez e ver de baixo para cima o teu sorriso… ver-te junto a mim e saber-te ali comigo… de tal forma que quando olhas eu sou o teu olhar… de tal forma que quando sorris eu sou os teus lábios… de tal forma que quando me afagas eu sou a tua mão… de tal forma que quando me tocas eu sou o teu corpo… de tal forma que quando me olhas eu sou o teu olhar… deixa pousar o meu cansaço na tua serenidade e sentir a tua paz na minha guerra… baixar as armas e sentir a trégua na tenda que se ergue no deserto da batalha… humedecer as mãos na brisa da água que corre no ribeiro que nos circunda… lavar a cara na frescura do vento que nos embala… sentir que nem tudo é real mas que o sonho nos preenche… sentir que, por vezes, só o desejo chega, só o querer basta, só o pensar nos satisfaz… deixa-me ser não só a realidade mas também o que não somos… deixa-me olhar para dentro de ti e ver-me inteiro… deixa-me tocar-te com o sonho e saber-me parte dele como sei que ele é uma parte do meu eu verdadeiro…”
E, pelo que se me é dado perceber,
a autora tem um belo cabelo! rs rs rs
Bjsss
gestos de abraço
gestos de reverência perante a tua poesia e o teu Ser!
muitos beijinhos!
jorge
Maravilhosa Poetiza Sublime:
"...os cabelos
com que te revolvo os dedos
as mãos
o olhar
o corpo até ao coração.
Sorrio aos fios dourados
com que teço gestos
de sim (n)em não..."
Delicioso. Terno. Mágico.
Sem palavras mais: fascina!
Parabéns sinceros.
Linda.
Abraço de pureza e respeito.
Com admiração sempre e constante.
pena
É fabulosa, poetiza amiga.
Bem-Haja, pela honra da sua pura amizade.
Excelente!
O desejo espalhado no corpo...
Em que se ama tudo....
Adorei....
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta
Um poema muito belo, bem como os das edições abaixo.
Gostei muito do conceito do blogue.
Lindo poema,vim conhecer este espaço ,convido para conhecer o meu blog,beijo
ANAMAR
Em vez de dores de cabeça, dores de cabelo. Talvez se adapte à espera que a seara nos fortaleça. Poema belo, a não nos deixar indiferentes.
Abraço
Quem tem cabelo pois decerto
dele se pode queixar
toma um chá no deserto
e já se pode pentear.
Não é o meu caso; sou calvo e bebo café na cidade.
a sedução.... tenho medo dela
ººº
Dói-te o cabelo ??? Mais uma questão para pôr ao meu psicanalista, é p'ra isso que lhe pago :)
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