sábado, dezembro 14

SpIrAcLe



Esqueço-me de ti recortando as memórias e os  dedos_________________ de olhos fechados numa suave explosão de lembranças que são ruído na frequência modelada dos eus que nos sorriem em desafio numa transparência animada pelo verbo que insisto em agitar.

O coração conta o sangue que me doas em sacrifício de demoras inabitáveis com as cores pálidas do meu respirar em ferida sem mácula_______________________ inquieta a saliva que a boca trai. em suspiros ténues de madrugadas de Abril. cravos com que me perfumas a pele adocicada pela febre de viver.
Empresto o corpo à dor e atravesso o improvável.  

quinta-feira, outubro 31

Do you remember me?

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Voltei a escrever sobre mim, nos cadernos antigos, de capa preta que guardava em lugares ocultos, e quase me comovo, por não reconhecer depois, a minha letra.


O vento que faz esvoaçar as folhas, traz um aroma a baunilha e os beijos que lá guardo, de sabores vários, imperceptíveis a todos os palatos, excepto ao meu. 

Dos teus lábios perfumados, tatuados na minha pele.

Quando me deixava morder ao de leve, sentindo-te. 

S a b e n d o - t e.

Degustando-te poro a poro, num envolvimento de almas nos corpos invisíveis.

Engolir-te em rajadas respiradas num sufoco de quase dor.

Toco-te

E trago comigo todos os aromas, sabores e cores que já foram.

sexta-feira, outubro 25

Just a season





o sangue sabe a claves de sol quando a neve se derrete na boca, nos olhares e nos corpos em luta, nas camas desarrumadas pelos lençóis de linho que não amarrotam corações puros de inocência tardia.

cordas vocais distendidas em direcção ao voo. 

então, o chão estremece com o estertor do canto agonizante das cigarras, em fuga nos caminhos das formigas.

quarta-feira, setembro 12

Saudade leva-me contigo




Amor inquietante no naufrágio dos dias.
Habito ainda, o coração dos pássaros que esvoaçam no teu peito.
Tardes inexoráveis de dedos imaculados, e que ainda me tocam os ombros nus.
Respiro(-te) o hálito, sorvo-te o beijo, absorvo-te inteiro.
Esqueço-me, lembro-te, nas horas breves de todos os dias.

Descanso nas memórias, e afugento a tristeza, com um gesto pálido de indiferença.

sábado, abril 2

Someone (exactly) Like You,


Não sei. Não sei como vou viver sem ti. Mais órfã que viúva, porque não morreste, nem nunca morrerás primeiro que eu. Não sei se sabes deste amor que não sabe ser.

Não sei quantas lágrimas aguento, não sei quantos beijos não te dei.
Não sei, não sei.

Abro a porta da igreja e desafio a obediência, de olhos vendados. A lembrar dias que não tivemos. Ensopados de história. E estórias. Tanto de muito.

E dizes-me que o importante é eu sentir-me bem. Sentirei, quando deixar de (te) sentir... 
...A primavera que tarda no teu olhar de música. 

Quando parti para o deserto, disseste-me… O que foi mesmo que escreveste? Devo ter guardado algures, nesse tempo nem imaginava que não eras de poemas e ainda hoje não sei se é um excerto, ou se era já a tua alma a tocar a minha. Não sei.


Desejava que ele a beijasse. E ela, de olhos abertos a ver o beijo…
… mas antes, de olhos nos olhos.

Depois de olhos fechados, na imaginação em que os beijos existem e na intensidade  que se adivinham todos aqueles que ainda não foram dados.


Se me amas[te]?

Não sei, não sei...

sábado, dezembro 26

Esqueço-me de respirar cada vez que me beijas



abro esse dia. na vontade de esquecer a distância.
descalço os teus passos a caminho do lodo. nesse caminho em que a lâmina te trespassou o peito de verde pinho. feito ninho. de aves loucas, opacas de sal. mar que me faz onda a rebentar aos teus pés de amo. senhor. espanto [a dor]. sempre te reconheci pelo reflexo de lua. cheia. apneia. encantado o tempo das romãs mais-doces-que-as-maçãs-que-me-descascavas.

meu olhar de lava.
lava o meu olhar.
lava 
leva.
abro os olhos.    
e____________________ fechas a memória da noite com os meus pulsos em sangue___________________ nas tuas mão de príncipe. 



domingo, abril 12

ConVento (ou a escolha de Ana)





milagre de flores num vestido branco

hábito

manchado

de sangue puro acontecer

eremita de desejos aprisionados

castos

em celibato virgem


i.n.v.o.l.u.n.t.á.r.i.o


o toque

nus cabelos dourados


coroas de rosas

sem espinhos


caminha descalça de mão dada com a dor


ermida da memória

onde o vento leva as promessas

palavras

na cor do santuário


sim, meu anjo amo-te em cascatas de notas musicais


sorris na distância dos quilómetros que não digo

fotografas monumentos que constróis em nossa honra


arquitecto de amores plurais

onde

sou singular.


As madrugadas são manhãs por acontecer.


Sorrio ao mar que me aguarda


escarpas rasgadas na descida sem retorno

danço ao som do eclipse lunar

solstício de verão a chegar


fecho os olhos, as mãos, a boca

neste caminhar

onde o meu corpo se abre em alma

para o teu entrar.




sexta-feira, fevereiro 6

I Don't Think About You Anymore But, I Don't Think About You Anyless




Abriu a carta, de olhos aguados e a pele gasta, encolheu os ombros, num estado de inquietação,  esperando a última hora.

Sumarentas marcas indeléveis em labirintos dissimulados, enroladas em destinos escritos, gemidos em vez de ser,  feitos pudores. Ou altares.

Deixou-se molhar pelos contornos de um  orvalho disforme, então fragmentos duma  serenidade ansiada, com todos os nadas inteiros, adornados na alma.


E naquela provocação, sedução, a espera era quieta, cristal infalível. 
E rendi-me, rendada.

Dói-me o coração, iluminam-se janelas num torpor imoral, a parecer poesia com aroma de cigarrilhas. 

Tenho a pele salgada de palavras desenhadas nos muros par[a]dos. Uns arrepios indiscretos, o lu[g]ar vazio.

I-m-a-g-i-n-o.

E enterro o tédio num gole de cerveja, com promessas dobradas em ladrilhos de luz néon.

Subitamente, a vida segue de mansinho.

segunda-feira, outubro 20

Sombras [reeditado]


Grisalha a febre da neve que tomba
em geada 
desgrenhada pelas noites de olheiras no corpo amachucado
violado pelas memórias invencíveis

lábios puros de aromas
de pele na pele
ácidas
as palavras

que despem o momento da partida

emoções divididas

r
e
p
a
r
t
i
d
a
s

hino ao amor entoado a cada gesto inacabado
suspenso o coração
galope apressado
beijo olvidado

lembras-me em noites que o dia não permitia

sussurras(-me) letras desordenadas

no meu peito

aberto

ao teu olhar

profundo como o mar

o (meu) amor

por inventar.



quarta-feira, abril 16

25 de Abril sempre...


De encontro ao teu beijo de lábios de espanto
esquecido no fundo do corpo ao relento,
em alma de gelo, onde um pecador é santo
acende uma chama num coração cinzento.

Escondido no peito, a revolta de outrora
explode em canções e cravos de Abril
o gesto, o olhar a revolução que demora
nesta democracia encapotada, de gente vil.

E eis que num gesto, recordo o teu sangue
a ferver-me na boca de tanto o gritar,
a tentar salvar-nos deste governo infame,
a salvaguardar direitos que nos querem tirar.

Liberdade, pão, paz e dignidade,
trabalho, saúde, educação
em oportunidades, a igualdade
e 25 de Abril  sempre, no coração.


sábado, dezembro 7

Nudez



Amendoeiras em flor
pétalas
em neve nu meu corpo
nu
meu olhar de mel
nu
desacerto dos passos
de dança
ausente
carente
a música
do meu peito
nu
beijo esquecido
nu
lugar vazio
que invento em cada madrugada
jardim proibido
desfolhada
a
neve
que
c
a
i

sobre a memória do espelho que não sei
(atravessei?)
do lado de cá, de lá.

Onde estarei?

Nua
despida de amargura.

Alma quente
neve tremente
o corpo
nu

deserto
de nós cegos
cem laços de ternura.

sábado, maio 12

Azul


a distância de que fazes ausência deixa-me em sonhos onde entras espreitando-me nua à luz da lua cheia o teu sorriso azul com que me debilitas os sentidos dormentes os dedos nas minhas costas em cócegas delirando excitações na minha cama azul quando abro os lábios ao teu olhar azul que me penetra a pele de seda tingida de azul céu para onde voo direita à casa de música que guardas junto ao peito numa caixa de cristal azul de palavras ternas e cintilantes de uma provocação azul quando chegas ofegante da corrida que é o percurso do gelo no meu corpo e azul a alma que me foge desvairada e louca azul sempre azul cada vez que te penso e te sei dia lago rio mar encharcado de desejo azul nas nuvens claras das manhãs em que me adormeces com a tua voz rouca azul de saliva respirada em suspenso azul o livro que ainda não te dei porque não sabes de mim em ti.

quinta-feira, março 15

Espelho



Percorro a memória
num novo olhar
que me mira
suplicante
de amor

amo em golfadas de ri(s)o em mar

por vezes até devagar
outras
em constantes sobressaltos

amo em gritos altosde explosão de prazer e suor

amo em pinceladas de luz
musica
cavalo lusitano
chapéu andaluz
trinar de guitarra
viola piano
violeta azul

espelho vitral

(n)o apelo do deserto
o meu corpo em chamas
fogo de peito cansado

amo em espasmos sincronizadosbater de asas
borboletas
aves migratórias

amo e celebro vitórias
amo e amparo lágrimas
amo e invento histórias

amor paixão

por vezes ilusãomágoa
então

rasgo o coração
atravesso os espelhos
com o (teu) amor
do lado oposto no inverso do contrário do avesso.

E permaneço.
Numa canção sem pauta.

quarta-feira, fevereiro 29

Crepúsculo






´

Arranco as pétalas dos malmequeres
num desespero infantil
de bem me quereres.

Relembro os dias de vento
em que um guarda-chuva
nos protegia aos dois.

E a cidade indiferente
ao nosso passo apressado.

E o lusco-fusco
numa imensidão de céu
um café
e o silêncio
das conversas inacabadas.

Depois,
a distância que inventei
num comboio sem regresso.

E o sorriso triste
que me deixaste
sinto-o
em cada gota de chuva
sem chapéu.

sábado, setembro 3

Azrael




Aos teus olhos marejados de pétalas



sou
noiva em flor



vale de lágrimas



cheia de graça




ave




garça




mariposa em flor descarnada



espera adiada



rendada



rendida perdida





a vida ao sabor do tempo em que as cerejas eram o vermelho da boca




bouquet



e as vitórias das lutas rebeldes quando o teu corpo se abria no meu




ao som da musica que compões com os teus dedos de pianista





solista



em seda preparada



nas manhãs submersas de palavras não ditas



escorridas a água



sangue suor sal amor





afasto-me em passo de dança



c.r.i.a.n.ç.a



sorriso____ de____ esperança





a mão de Deus na minha fronte


e


esvai-se a vida no sorriso que te deixo




memórias do que não tivemos



ampara-me na queda em que ascendo aos céus




sou raio de luz musica infinita




morte


sorte


cavalo alado


anjo


cinza e raiz


sou terra mãe árvore mulher


fui feliz.


sexta-feira, agosto 19

My Melody






anima-se o vento sob o teu andar deslizante

imperceptível a poeira do meu olhar

vacilante

enquanto me tomas nos braços

me tomas

em goles ávidos

num

trago

o

ventre rasgado em camuflagens de alma de anjo


tomas-me depois

d.e.v.a.g.a.r


num deguste próprio de um vintage porto

envelhecido em caves de ouro


(a)douro

o teu sorriso

com estas mãos pequenas de brincar à apanhada

calada

no beijo despido que te sopro

de coração partido em pedaços de papel


respirava-te em gotas de chamas


bebia-te as palavras irrequietas

vagabundas

na minha pele

onde ainda escreves discursos


p-a-r-t-i-t-u-r-a-s


musica que compõe(s) (n)o meu corpo

enroscado

nu

teu


melodia que sou

que somos

tu & eu.



quarta-feira, agosto 10

Today is the Day ou como o amor nos (es)colhe...











Viajo na tua pele de marfim




que me deixaste em reminiscência




sorvo-te as palavras




os gestos




bebo-te o suor na distância da corrida




para não te perder




de vista




em janelas de castelos onde és rei dos meus afectos




entorno o olhar na tarde que tomba








d




i




r




e




i




t




a






ao peito




neste corpo marcado pelos teus poros




pelo teu saber de mim sem o toque de veludo que imaginas sentir




neste corpo onde pairo em esperas infinitas




sem suportar demoras do tempo que não tenho




saliva




lágrima




ou sémen




vivo




de memória(s) que invento.









Um dia




meu amor,




saberás o sabor agridoce do meu sangue




o perfume da minha carne firme




e




perder-te-ás no meu olhar de mel, quando eu já tiver partido.





quarta-feira, julho 27

O Canto do Cisne



Crisálidas dementes



-e-n-c-r-espadas



salientes no desespero da liberdade



rasgam-se véus de teias



murcham pétalas



ideias



veneno anil



sol e sal



lamento visceral



putrefacta a alma do poeta maldito.





Sou poema proibido



lago



rio esquecido



mar de lama afrodisíaca



sangue e suor



sou s.u.s.p.i.r.o



(e respiro)



onde te passeias



em voos rasantes



enquanto morro em ti.



domingo, dezembro 26

Carta (a) Ver (de)



Um ano inteiro entre as florestas do meu País.

Pinhais de aromas verdes, resinados à morte, alguns, como o meu peito em ferida.
Feridas que as lembranças reabrem, quando traem a memória dos tempos em que as nêsperas eram mais doces quando descascadas por ti; dos dias em que o lusco fusco se abatia sobre nós, inesperadamente, depois de o ter(mos) esperado tanto.


Tardes mágicas, desde as manhãs em que te pressentia. E te sabia de cor. Ou quase. Porque nunca soube nada e tudo era uma surpresa constante, de espanto em espanto, mesmo os teus dedos sabedores de mim, com que me afastavas o cabelo dos olhos, onde eu ainda escondo as lágrimas, com que um dia te direi adeus.

A tua musica continua a (en)cantar-me mesmo nos dias em que não há Concertos. Concertada que está a partida (há) tanto anunciada.

Consertados que estão os telhados de cristal, por onde espreitava a tentação de ir mais além. E os teu braços de lenhador a ampararem-me esta queda de árvore que resiste à doença e quer morrer de pé. Por isso me misturo nos Pinhais, para que a morte não me encontre, entre tantas outras já moribundas.


Canto e sorrio, quando te lembras que existo algures, numa realidade paralela e impossível de se cruzar com a tua, onde as serras são da cor do teu olhar e o mar me exige não sei que afagos. Noites há, em que o lusco-fusco permanece dias seguidos, e quase que te sinto através das distância que vai daqui-aí, kilometros de ansiedade e frustração que aparta rotinas, instala solidões e vontades egoístas.

Sim, sei-te a sorrir, dum modo complacente que sempre me irrita, em que me fazes sentir uma menina tonta e romântica, sonhadora e irrealista. Complexa e até complicada para a tua paciência (que é tanta)
.

Sei-te responsável (tão atraentemente responsável) a trazeres-me de regresso a casa, numa protecção impossível de ignorar (a que chamamos amor) mesmo que seja para satisfazer o teu comodismo de não teres que te preocupar.

A morte, meu querido, continua a ser o momento em que deixarei de (te) sorrir. E de escrever o que não te digo.

Depois, quem sabe, se os anjos tocarão o piano adormecido e tu cantarás todas as canções que sei de cor, quando eu for apenas memória, decalque no teu corpo, onde escrevo poemas a tinta invisível, que tu não lês e o meu sabor é aroma das tuas manhãs, mesmo que já não te lembres quem fui.


quinta-feira, novembro 18

Ainda tu....


Porque és tu


e sempre TU

que ainda me tocas a alma

mesmo que ao de leve


s.u.a.v.e.m.e.n.t.e


nas tantas vezes em que t(r)ocamos os corpos