segunda-feira, Outubro 20

Sombras [reeditado]


Grisalha a febre da neve que tomba
em geada 
desgrenhada pelas noites de olheiras no corpo amachucado
violado pelas memórias invencíveis

lábios puros de aromas
de pele na pele
ácidas
as palavras

que despem o momento da partida

emoções divididas

r
e
p
a
r
t
i
d
a
s

hino ao amor entoado a cada gesto inacabado
suspenso o coração
galope apressado
beijo olvidado

lembras-me em noites que o dia não permitia

sussurras(-me) letras desordenadas

no meu peito

aberto

ao teu olhar

profundo como o mar

o (meu) amor

por inventar.



quinta-feira, Agosto 14

Sombra que o sol me dá...



Descobrir a cor da dor em náuseas que contorcem o corpo por dentro entre o ventre e o peito a arder. nas mãos uma canção muda. a surdez do teu olhar no meu que é cego desde que vomitei o último orgão.

Enrolada no vómito a morrer devagar, invento borboletas de asas pretas.

Sal que o mar bebe das lágrimas que [me] secam a palidez dos dedos em anéis de alianças cruéis.

Escondo o sol nas pálpebras beijadas pelas cigarrilhas. hálito a uísque velho, mais que antigo, assim a paixão que [me] desflora gestos ávidos de uma revolução esquecida.

Jogo de cabra-cega-de onde vens, em círculos tocando o ar bafejado a perfume de sexo tirânico.

Ordenas com um beijo, que me cale. O rio sagrado transborda. E a tua voz é afrodisíaco que as putas usam com os clientes que se [te] seguem.

(desvio o sentido na direcção oposta ao obrigatório e continuo a escrita sobre ti: ''Para te sentires dono de ti, gostas das putas como se fossem amantes submissas, sem a prisão emocional de teres que corresponder a afectos...)

segunda-feira, Junho 23

Oração


morreu[-se] assim, aos poucos, como que  a respirá-lo nos dias sem mácula, sem aromas nem cores num beijo de encolher de ombros

olhou-a parada, anunciada. de pálpebras abertas ao vento, como quem chora. ou reza.

viu-o desenhado nas montanhas que lhe são corpo, tão seu…
…tão longe de si própria,  na imutabilidade dos dedos pálidos, macerados pelas dores sempre virgens. 

na flor do sorriso aberto à vontade, espreitou-lhe as palavras, desenhou-se no silêncio que a morte ia emudecendo, em surdina de verbos corrompidos pela desentendimento.

o tempo inquieto a secar a boca
louca
na extravagãncia excessiva de já não o escutar. nem falar.

tão só.

desde então, bebe-O  numa oferenda de domingos castos
                                    bastos os dias finitos em que navega o verão.

quarta-feira, Abril 30

Dont Look Back




Quando eu for______
espero que a saudade não doa a quem fica.

Quando eu for______
saibam que vivi em pleno e não tenho receio em partir.

Quando eu for______
já terei dançado todas as musicas com que embalo as noites dos dias mágicos.

Quando eu for______
irei descalça, de mão dada com o vento.

______ E deixarei palavras, sorrisos, perfumes, desenhos de quadros por pintar e algumas pétalas de mares por navegar a todos quantos me ajudaram a crescer, ensinaram a sorrir e me deixaram partir...sem dor.



quarta-feira, Abril 16

25 de Abril sempre...


De encontro ao teu beijo de lábios de espanto
esquecido no fundo do corpo ao relento,
em alma de gelo, onde um pecador é santo
acende uma chama num coração cinzento.

Escondido no peito, a revolta de outrora
explode em canções e cravos de Abril
o gesto, o olhar a revolução que demora
nesta democracia encapotada, de gente vil.

E eis que num gesto, recordo o teu sangue
a ferver-me na boca de tanto o gritar,
a tentar salvar-nos deste governo infame,
a salvaguardar direitos que nos querem tirar.

Liberdade, pão, paz e dignidade,
trabalho, saúde, educação
em oportunidades, a igualdade
e 25 de Abril  sempre, no coração.


segunda-feira, Março 10

PURPLE RAIN



apago dos meus lábios o silêncio ensurdecedor, das esquinas dos dias pardos e lamacentos onde se afogam esgares aflitos pelas dores de alma que me atormentam o olhar.

navego no teu corpo de ave infinita, sempre e mais além, enquanto espero as andorinhas que hão-de fazer ninhos no meu peito.

absorvo-me de metáforas numa oração de murmúrios sussurrados ao teu ouvido de mercador de Veneza. aponto-te o luar das nossas vidas que cai sobre as árvores que hibernam.

sorris-me numa névoa de aroma adocicado. e o cachimbo pousado…


fecho-me dentro de mim.

e de mãos dadas com a tua memória, parto com o anoitecer.

quinta-feira, Fevereiro 6

PaRaBéNs



chegaste num dia qualquer sem encontro marcado olhar desviado pelo sol das tuas mãos de fauno com que ainda hoje teces mantas no meu corpo debruado a beijos mel. o sorriso depressa foi riso alto aberto e livre como o teu corpo na descoberta do meu amansado que floresce em gemidos...orvalho nas pétalas de veludo cor de fogo o meu corpo... sempre que me olhas e o mundo pára. pairo sobre mim, no abraço que me deves.

cresço em direcção ao azul infinito cor da minha alma. é branco o toque do teu corpo nu meu. há um barco no mar do teu olhar. direi então: na ponte que me leva a ti, o amor é a tua sombra em esplendor sobre o meu corpo poema que inventas a cada instante em que me fazes mulher.

céu de cor púrpura liquidambar cor do meu coração a floresta no peito uma bétula no olhar nas mãos uma canção. E na voz o poema em que sou tua.


O meu coração é um diospiro amadurecido pelo teu amor...

domingo, Janeiro 26

Mr. Blue Sky


visto-me de negro. porque há lutos que não sei fazer. e o azul sorri-me no atrevimento do veludo que é a tua memória.

sou vida enquanto te sentir sangue a pulsar no corpo, caminho que respiro, olhar que me leva a casa. florestas que me aguardam, algumas cinzentas, que antes foram fogo.

hoje tudo parece cinzento, os suspiros, os soluços, as tonturas e o dia. apesar do tom de alfazema da minha pele.

sucumbo ao cinzento alheio num verbo novo. perfumado dum veneno que vicia.
as palavras são a intemporalidade da alma, a crescer devagar. na magia das descobertas…

... recolho, escolho os livrinhos de capa negra, onde me escrevia por dentro e por fora  o cabelo ainda curto para entrançar e salpicar de fios dourados as tuas mão de príncipe.

o amor 

d
e
i
t
a
d
o
     numa espera ansiada para se curvar à passagem do meu olhar. que repousa agora.

rodopio em passos de uma dança interminável, sempre que a música preenche a cabeça com o invisível das memórias dos cheiros.

ousei inventar outras sonoridades com que saboreio os dias, em que estás longe.

à medida que caminho, escondo o cinzento dos quadros pintados à chuva, num apetite de caos e adormeço-me.


E antes que a noite chegue tens de ficar comigo.


sexta-feira, Dezembro 27

So sensitive



pedras lascadas que nos hão-de cheirar a tempo de transpor todos os limites. preciosos. inequívocos. irrepetíveis & infinitos.

nesse trajecto em que apago dos meus lábios a sede onde morre a inocência dos primeiros rubores.

rubis. nU verde intenso do teu rosto que me fecha os olhos quando murmuras em sussurro, os meus nomes.

sou casca, pele, invólucro, adorno de forma que adormece no encanto dum perfume tacteado, em relevo, cujo paladar é do mesmo amor.

imagino que te alcanço num sabor de baunilha num entardecer crepuscular (só porque não gostas de lusco fusco)


_____________ penso-te meu e basta-me esta posse.

Tocou-lhe mansamente as pálpebras fechadas com os lábios abertos em flor.
Escondeu depois, o rosto nos seios que subiam ao ritmo dum barco à deriva em mar alto.


Só então lhe aqueceu outros beijos nos pulsos amarrados pela incerteza.

sábado, Dezembro 7

La scultura





adormecia quase sempre nos momentos inabitáveis do teu sorriso

que tentava apagar, em vão, dos meus lábios

beliscados pela tua saliva que se enxugava segundo a segundo 

nesse rosário de memórias

arrancadas a ferros pelos círculos arredondados nas pontas de estrelas seduzidas pelo proibido _________________________________  que era saber-te o verde doce dos dias que ondulavam em vésperas de tempestades vazias

imortalizada pelo cinzel que me esculturava o colo virginal numa qualquer sala das caves de Belas Artes __________________ Lisboa era então ainda jovem
e o seu luar sempre tão sedutor ________________ suave morrer, quando em mim fixavas o teu olhar. e me tentavas beijar.

e renascer no teu sopro invisível às palavras cantantes do teu italiano siciliano, que eu fingia não entender.

então, dizias que eu podia descansar. e eu pousava o olhar no pedaço de pedra que havia de ter o meu sorriso. e tu dizias sei cosi bella . e eu corava. e tentavas em português amo-te. e eu envergonhada, indecisa, encadeada. mas tu continuavas ti amo hai capito?

e eu fugia...

tanto fugi, que acho que nunca levaste tanto tempo a concluir uma escultura.

(ainda hoje estou para saber, porque adoravas o meu nariz)

sábado, Novembro 2

So in love



Suspiro-te em tons outonais, quando passas de mansinho esgueirando-te no tempo, os olhos brilhantes pelos beijos roubados, ansiados na distância, tocando ao de leve as pedras da calçada portuguesa, nos dias em que não estamos juntos, a voz de barítono em jogos de sorte que o azar perde, mãos de música que me sangram a língua sempre que o quarto vazio de um hotel é invisível ao sentir do coração esvaído, seiva e olhar escondido, corpo a vibrar. Quente.

Respiro-te no óbvio que evito em deleite de rio bravo a arder devagar, como esta febre esquecida nos lábios escondidos nos cantos das bocas ávidas de perfumes, que são cheiro, mais que aroma, cheiro dos corpos suados de mel e sal. Frio.

Absorvo-te então numa felicidade suave e ritmada que ondulo com os gestos que talvez já não reconheças, nesta certeza de paixão de primeiro instante, paralisando o momento. Morno.


Beijou-lhe as costas. Depois os ombros nus. Só depois a tomou…


quarta-feira, Setembro 25

Blood on the rooftops




afogo um soluço na mão que não te dou. olhares que se encontram quando os lábios se esmagam. os teus nos meus, ou nos gestos que se insinuam _________________ escondidos, mordidos. salpicados de sangue, sabor a vermelho quente. de língua. suave e húmida em beijonocéudaboca. ou simples aflorar. perfume de lágrima. seiva ardente. fechada a boca cativa do gostar. parado o corpo. numa angústia de cor antiga.

brilho de iris incandescente __________________ tranco-me por dentro numa tentativa de não. filamento em corrente de ouro. sou lua. sou tua. sou fuga e solidão.

reconheces-me [N]a pele firme onde te demoras. recantos perdidos ou engolidos pela pressa de prazer. dar e receber. música clássica, canção de_Verão. cântico, afinação.  velocidade, perdição. anjo caído. amor erguido no cálice, em oração.

flutuante o meu coração vadio. jamais vazio. por vezes [de] frio.

e ____________ ainda és rio do meu [a]mar.

sexta-feira, Agosto 9

Leite amargo



Por vezes és dor. Misturo-te nesse sangue leitoso que cura feridas de  lábios abertos.
Transfusões de sol e arrepios. Percorrendo estradas por onde transparece o desejo a derreter no asfalto acabado de secar. Divido-me ao meio, seduzida pelo proibido, volto a reconstruir-me, sou dobro da divisão. Um simples não e és figos em de_leite no meu peito.

A viagem a terminar e o tempo a inventar horas de cor.

Ofereces-me as tuas palavras e música num altar inquieto onde és piano atrevido, ofertado, mesmo sabendo do meu querer esquecer.
________________ e nos teus olhos as imagens do que não (me) podes ter..


Inundo-me de pele tatuada da tua cor. E sou pauta, página, folha, raiz________________________ do teu amor.

segunda-feira, Julho 29

Aramis



Habitas ainda as margens dos rios que me são páginas por escrever em resquícios de texturas (e de ternuras) ________________ indefinidas________________ quando me desenhas as mãos em oração que me sobram (no coração) ____________________ (n)o labirinto do meu olhar que se espanta quando desconstruo poemas perfume de açucenas, violetas ou lírios (serão rosas?) ____________ que entrançam os cabelos fi(n)os de espigas maduras (tão curtos pela queda inexorável dos dias da soma de todos os medos) arvoredos, bosques, cheiro rosmaninho e alecrim, jasmim e _____________ tanto, tanto de mim…

A desarrumação é letal e detesto o aroma e o sabor de maracujá.

Mas esta floresta é chão onde os teus passos retornarão em música, sempre em música, como no princípio de todas as coisas, quando me despenhava em interrogações tão simples como velejar nos teus lábios num sopro de beijo, vejo sem olhar 

_____________________________________________________ e então ____________________ quantas cerejas tentas equilibrar no meu corpo ondulante que te perturba a paz geométrica nos dias em que as águas eram rebentadas de encontro ao meu peito, no turbilhão de palavras cerzidas a ouro.

O silêncio pesa-me nos ombros. Volto-me e uma mão segura-me…

quarta-feira, Junho 26

Água brava




fios de ouro que o olhar tece na dúvida que desce pelo corpo agora tisnado pelo sol do campo que a praia esquece.
aquece-me de novo nesse fogo singular em que me fazes acreditar que somos plural, nos arremessos de palavras proibidas nos momentos de entrega, troca e fuga. gemidos que são apetite, sede, fome e ardor.

bebo-te na fúria das tardes solidárias em que os dedos vagueiam entre letras e pele.

relembro-te num fascínio guardado num embrulho por oferecer. quantas canções te conheço, com quantas vozes se alimenta de música e cerejas a boca, com que me pintas os lábios rubros de febre de saudade?
a idade? dois algarismos que a matemática vai somando.
sonhando? lutando, remando, de encontro ao teu peito que ainda tem o aroma do meu perfume, quando um dia, por distracção, me aconcheguei no teu, num abraço de nem sim, nem não.

círculos escaldantes onde danço descalça, quando amanheces água pura de todas as fontes.

cabelo de espanto despenteado pelos teus dedos. os mesmos que me emprestas entre sussurros de solidão.

sexta-feira, Junho 7

I Will Wait




sopram ventos de onde nasce o sol em casamentos de sangue e suor.
______________ as lágrimas doces de sabedoria vivida. sede de mergulhar o corpo nos braços de amores proibidos. amores ou desejos de ultrapassar limites que a imaginação supera. revisitam-se lugares livres de existência perdida. ardida ______________________ a febre a subir devagar a serra onde sou árvore. floresta. alma em festa de carícias abandonadas ao relento. momento aroma floral lamento_________________________ que tenhas esquecido os contornos do meu olhar no teu. espero. não sei como, mas espero. 

desespero. sorrio. canto onde me escondo de mim até a tua sombra se projectar nu meu corpo nuvem passageira desejo sem limite o calor da tua mão na minha onde a tua alma é o meu céu.





domingo, Maio 5

Love letters







nuvens de vento empurram o sol neste sotão de memórias, onde te (res)guardo em caixas coloridas como matrioskas de ar maternal.

sento-me num caixote de madeira, deixando que a claridade vença os recantos de todas as coisas guardadas de ti: postais, anéis, brincos, colares e fios de ouro velho que não reluz agora, o teu bilhete de identidade, o cartão da maternidade, algumas agendas (onde a tua letra me é tesouro) nos recados que me deixavas (junto com o almoço já feito) na minha adolescência de preguiça em férias, antes de saíres para o emprego.

encontro agora o teu passe de autocarro, recorto a tua fotografia e deito-o fora. é assim, sempre que mexo nas tuas coisas, a tentar ficar com o mais importante, o que para mim é tudo. mas é um exercício que faço, para me tentar disciplinar a não ficar tão dependente  de objectos que fazem parte da tua memória. 
é difícil desfazer-me seja do que for teu. quando o pai morreu, lá tive que dar os teus vestidos mais bonitos e o robe que ainda estava pendurado atrás da porta, e outras coisas. guardo algumas écharpes e lenços, que não usarei, porque não gosto, mas têm ainda o teu perfume, até porque estão junto com alguns sabonetes Camay (penso que americanos, com que o pai sempre te inundava e que tu recebias com o entusiasmo de uma primeira vez).

sabes (claro que sabes) já sou avó, ou seja sou mãe outra vez e tu continuas longe e eu sinto-me sempre solitária quando é a tua memória que me faz companhia.

dou corda a um dos teus relógios de pulso, com esperança que o tempo volte para trás e tu te materializes aqui na minha frente, a tentares fazer ao mesmo tempo mil e uma coisas enquanto me mimas e me beijas prendendo com uma rapidez hábil a bracelete do relógio, esse relógio antigo de tantas horas que guarda, assim o meu amor numa ampulheta de tempo, em que a areia se recusa a deslizar à velocidade desejada que é parada para que não tenha que te recordar com medo de te esquecer.



quarta-feira, Maio 1

4 anos depois...




Quatro anos depois, de começar a partilhar estados de alma, sonhos, palavras primeiramente dirigidas a quem não me pode responder, a minha mãe, quatro anos depois continuo, sempre com mais pessoas que se ausentam e para quem escrevo também, sem esperar resposta, ou simplesmente dialogo com quem me visita e a quem vou descobrindo, enriquecendo-me com a enormidade de tantos de vós, todos, mesmo dos que desconheço o olhar mas adivinho o coração.

Quatro anos depois, orfã de mãe e pai. Desiludida com o rumo do nosso País, do Mundo. Debilitada por uma doença que tento vencer cada dia que passa, mesmo não havendo ainda cura. 

Quatro anos depois, muitas árvores plantadas, cuidadas, uma filha que resistiu entre tantos que perdi, um livro só meu, alguns livros de mais autores, muito amor  e alegrias, uma neta, a família a crescer, compensando as perdas insubstituíveis. E um trabalho que tenho a sorte de manter e que me realiza.

Quatro anos de letras, números, sorrisos, gargalhadas, cumplicidades, música e a dança das vossas escritas que me sossegam a alma em constante desassossego, só porque sou assim e muito mais.

Obrigada a todos os que comigo têm percorrido este caminho, os que resistem, pese embora o aliciamento das redes sociais onde (me) perco tanto tempo.

É tempo de regressar aqui, onde me sinto em casa, acompanhada pelas palavras que sendo de todos, escritas/ditas por cada um de vós saciam a minha sede, mesmo que tenha apenas fome.

Grata por me fazerem mais feliz, permanecendo!

(Tenham um alegre feriado, neste dia de todos os dias, mesmo que perdeu o trabalho, resista, não desista. Juntos temos mais força!)

quinta-feira, Abril 18

Sunshine reggae



brilha como o sol que te encandeia o olhar entreaberto a sonhar gestos com que me acaricias suavemente a pele que é minha e tua nestes momentos em que sorrisos são brilho do meu amor e reflexo lunar nas águas profundas de ri(S)os rasos de lágrimas doces

______________________ como a tua alma em que me vicio, como o teu corpo entrelaçado no meu a transbordar de licores de anis e sorrisos cristalinos


_______________ brilhantes os dentes num sorriso resplandecente só porque ultrapassamos os limites de nós em simultâneo, em gritos que são gargalhadas que se transforma em sorrisos _____________ encantamento
fascínio e contentamento

____________________ vejo-me nua no teu olhar de espelho e danço contigo na famosa praia deserta onde ainda está o piano que abandonaste, por  conheceres de cor todos os recantos do meu corpo em dedos à flor da pele pelos teus dedos tocada
_________e  fazes de mim música  cada vez que sorris
e
 p
   o
      e
         m 
              a

sempre que me lembras, me beijas e entras em mim devagar, como se fosses  dono do tempo ____________________ sorridente e feliz.

sexta-feira, Abril 5

Amar(elo)


água que somos.

             músculos em permanente desafio.
 a poesia escorre pelas faces em lágrimas que desaguam no (a)mar_____elo de gentes.

    sei uma canção com que embalo os dias sem música.
            sei estas notas de p.i.a.n.o. 
    sei o meu coração re__________partido em lugares que nunca fui.
    sei o afogamento da alma em linhas curvas. cíclicas. helicoidais em sangue.
         as mãos e os olhares dos resistentes. 

 é assim para sempre.

       Lusco fusco amarELO meu peito encostado às janelas que insisto em manter fechadas à chuva da tua memória.  [Quem habita assim um corpo, possui por completo a alma do outro]

     Apenas o corpo é pedra quando não ousa. 
   e a alma pássaros que rendilham estrelas de olhares mansos. aventureiros     os medos que se espraiam nos corpos nus. 

       sim... fios de barba inlúcidos, porque ardilosos na sedução. grácil o sorriso com que me envolve no desejo de uma boa tarde.
    sempre a tempo. beijo de hipótese. 
    sentada a uma secretária que me despe... 

   ...soubesse eu inventar mariposas de corações famintos

e  
l
o
s

de

a
m
a
r


sole ed  rama


sexta-feira, Março 22

Divenire


és água que atravessa a luz da fonte de todas as energias sem que ardam bosque e matas, nem flores, mesmo as de jacarandá com que adorno os cabelos______ainda mais curtos__________mantendo no entanto farripas de franja que adoras afastar-me dos olhos, deste olhar com que te adormeço a sonhar e me acordo a sorrir.

és cavalo selvagem a galope nas palavras que não uso porque as transformaste em cântico final, sempre que te lembro a pele macia que se misturava com a minha em toques de alma quase angelicais. quase porque és ateu com a força toda do teu corpo viril quando misturado no meu se submete a um só em união cósmica de partículas infimas  que somos tu e eu.

és poema que desenho, musica que sobrevoa as florestas onde te encontro em cada ramo de castanheiro, pinheiro ou mesmo mato alecrim, alfazema com tanto de mim.

és tanto que nem adivinhas que ainda tenho em decalque os teus dedos de pianista, quando em tardes que foram noites fazias do meu corpo partituras quando despidos com ternura éramos sonata, sinfonia, orquestra, fantasia, sonho____________________________sem fim.


quarta-feira, Fevereiro 20

Inquietudes


encerro em mim todas as memórias que posso, com receios de esquecimentos fundamentais, como o tacto e o sabor da tua pele ou mais importante que tudo, o teu olhar que abraça, que enlaça e me ama como sou, sem que o saibas muito bem, por vezes nem eu, neste véu de que me cobre a nudez, deixando o decote debruado pelos teus dedos que me são renda. gulosos saborosos. agasalho em noites de neve, quando o nevoeiro é cegueira leitosa. fujo então deste amor que me castiga a boca de pudor em que o mistério vive, vibra e se mantém insaciável, mesmo quando num corpo a corpo me tocas a alma, em rubores cálidos transgressores de limites transparentes.

sabes a frutos proibidos e as palavras que guardas, bastam-me.

aroma a pinhal, resina âmbar vitral, este sentir sem letras ordenadas, por ti guardadas. 
dá-me um pouco do teu tempo, de que me alimento, beijo de lábios e lisa a água com que os olhares humedecem o tempo. de sal na ferida do encantamento. amor. sem repetição. és eco, confissão.

e eu, sem saber fumar, acendo um cigarro, enquanto te espero, cinza que é pó que me devora entre a vida e a morte.

quinta-feira, Janeiro 24

Kill For Love


deixo-me abraçar pela árvore mais próxima.

a  mudez do bosque contrasta com a nudez da tua alma erecta e
todos sabem o segredo que escondo nos dias em que te amo sem saberes na distância duma memória inventada ou apenas imagem guardada em saudade resgatada.

flocos de neve no cabelo que dói __________________________________________________ suave adormecer dos sentidos obrigatórios

o vento seca as lágrimas que teimam em salgar o dia. 
os teus lábios deixa(r)am marcas na minha pele de águas cantantes em perdidos murmúrios que me sussurram frases por inventar, só porque és tu que o meu peito acolhe.

avenidas de passos errantes _____________ a febre a arder devagar enquanto inventas silêncios diluídos nas sombras da solidão

escreve-me cartas de amor como quando nem sabias de mim

escreve-me e envia a carta para eu dormir aconchegada
ao teu beijo mágico nas letras que dançam
no meu corpo em fogo
sempre que te
aguardo
sem
saber
esperar

hoje vou com o sonho em mil sóis de nós sempre que te escuto a voz.

meu amor que mato sem morrer.



sábado, Novembro 17

Farscape


Cântico final com(o) prata oculta, sa(n)gra(n)do o dia de expiação em que decido morrer, num abandono exacto em soluços incandescentes, esculpindo memórias despidas de aromas, apenas gravadas a fogo no peito desajeitado pelo horizonte longínquo, em que te sei ávido das minhas formas, como eu  da tua alma. 

Danço então, até o rubor das faces iluminar os jardins proibidos onde te seduzo em troca da tua voz de anjo numa inquietude erótica e mortal que é esta paixão faminta, numa cadência sôfrega e insaciável, como os amores distantes que ecoam nas cartas guardadas, amarrotadas e lançadas ao mar, ondulando até submergirem patéticas e solitárias (como todas as cartas de despedida da vida e dos amores que se despem) abandonados num labirinto de verbos inflamados de violetas desfeitas pelo beijo violento.

Saio assim de mim, a tentar inventar um novo silêncio que se estenda até à música, que será tudo o que levo, ao fechar-me comigo, trancando-me por dentro, na praia onde o piano descansa, elevando-me aos céus, para que saibas que é chôro, quando a chuva te refrescar o rosto cansado por tanto que me procuras.