Sexta-feira, Fevereiro 24

Sede



Despeço-me tantas vezes de ti
para não ter que te ver partir.

Hoje,
lembrei-me do sabor do teu olhar
mel
no verde da manhã
de prados em cascata de luz
p
u
r
a
a água
que me ensinaste a beber em todas as fontes.


Quinta-feira, Fevereiro 16

Because Of The Blood




o vento seca as palavras que o vento não leva. recebo sinais desesperados de dores antigas que o peito guardou. são assim as despedidas adiadas de amores a quente. quando o brilho dos olhares trespassa corpos alheios a almas tocadas em uníssono. sempre te disse que o amor é. mesmo quando parti, de todas as vezes que regressava já não era eu em límpidos rios que desaguavam nas tuas mãos de pintor. com que tingias os dias em negativos digital de gravuras nítidas a preto & branco que o azul absorvia diligente numa quase promiscuidade galante. a sedução é uma arte que nos assiste, impertinente e baça quando a mentira é verdade inventada. ainda recordo (a anestesia foi benevolente comigo) as tardes que eram madrugadas e o teu peito era mesa de repasto degustado poro a poro, na minha pele de menina que, decalcada na tua fazia crescer flores silvestres nos cabelos em desalinho pelos suspiros de amor.

Quinta-feira, Fevereiro 9

Tempo




Saio de mim
para de novo entrar
mar
memórias a esquecer
brando querer
viver em musica
dançar
voluptuosos os movimentos
lentos
desejar
rapidez no tempo
o relógio sem ponteiros
a rodar
(a)corda(r)
o momento
calma silêncio paz.

(Re)Começar de novo.

Domingo, Janeiro 29

Silence in everywhere




Pouco a pouco
o silêncio da distância
instala-se entre nós
e
o
tempo que não pára,
que não espera
pelo nosso tempo...

Estás ainda presente
neste tentar não lembrar
porque esquecer nem consigo...

Como poderia?

Se és
a manhã dos meus dias,
o anoitecer
das tardes de Verão,
se és
o mar da minha praia encantada,
o Sol das noites mágicas,
o ar das florestas virgens,
a poesia das músicas proibidas,
se és tudo e nada
ou
muito
ou simplesmente
memória...

Por vezes retraio-me:
sento-me num canto,
aguardo impaciente
uma palavra tua
um gesto,
qualquer movimento
que me diga
que ainda estás aí,
que...

Recuo no tempo,
invento
uma memória
em que me envolves num abraço sem fim,
assim
o meu gostar de ti.



Quinta-feira, Janeiro 12

A pele que há em mim


Foto JFP


fazer deste chão, céu...onde em voos rasantes ao teu corpo de rei, te sussurro afagos de anjo. depois beber-te as palavras que suavizam os sentidos obrigatórios na direcção proibida do meu olhar. coloridas os lábios com que te desassossego as mãos perdidas no meu corpo de água. diáfana nudez de alma pura. diz-me amor, se és meu, com quantas letras se escreve a palavra com que me defino enquanto amparo as tuas lágrimas de resina? quantos traços são precisos para que o esboço com que me desenhas seja tatuado no teu abraço que tarda? és aroma primitivo, sabor a saudade escondida no meu peito, onde respiras devagar para que ninguém saiba que vives debaixo da minha pele. 




Sexta-feira, Dezembro 9

Pre(s)sa





chegas apressado o olhar errante como se eu ficasse invisível à suavidade com que me afloras o beijo. é noite de uma semana sem toque de pele, sem abraço de mansinho por debaixo do edredon que o frio exige.é tarde para um beijo prolongado e cedo para que derrames em fúria o teu amor contido na distância.tenho fome apetece-me um bife na Trindade, apetece-me descansar o olhar no teu, enquanto percorremos de mãos dadas a cidade que me tem mantido reclusa. tanta liberdade que nem tenho sabido o que fazer com ela. assim fechei-me comigo no quarto que é sala, na cama que é mesa de refeição, escritório,  espaço que recebe amigos, onde bebericamos chá e falamos da razão porque me encerro. liberto lágrimas (d)e raiva. encerro-me e cerro os dentes com fúria nas palavras que gritas. mudo o gesto de enfado.sorrio ao sol nublado de abraços estéreis e olhares singulares com que te devoro já sem apetite nem fome, apenas pelo gozo de te seduzir.

Segunda-feira, Dezembro 5

"Love is just a word. Your actions are what proves it."



Já pode contribuir com 1€/livro para a organização sem fins lucrativos FUNDAÇÃO FLORESTA UNIDA.

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http://www.edi-colibri.pt/Detalhes.aspx?ItemID=1552

(Portes de Correio suportados por Edições Colibri)

DISPONÍVEL também NAS LIVRARIAS da Faculdade de Letras de Lisboa, Alameda da Universidade, 1600-214 Lisboa,
E DA Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Av. de Berna, 26-c – 1069 061

Junte-se a esta Causa!



NOTA: "A Floresta Unida é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e implementa ações e conceitos que permitem a apoiar o desenvolvimento sustentável do património florestal. Missão: Plantar e proteger Proteger o que está plantado Educar e sensibilizar Apoiar a investigação. Onde atuamos: A Floresta Unida tem a sua sede em Portugal e representações em Espanha, França, Itália e no Chile..."

Sexta-feira, Novembro 11

AMOR iNFINITO

Segunda-feira, Junho 27




Dói-me o cabelo


(não a cabeça)


mas o cabelo que cai sem ser Outono


chuva em meadas de fios (a)dourados pelo tempo


que os teus dedos já não penteiam


em suaves sobressaltos embaraçados pelo vento


cabelos livres


cabelos lisos, tão lisos


searas de trigo amadurecidas pelo teu beijo (a)guardado


rios de luz que o sol reflecte


águas revoltas no amar de corpos


cabelos meus e teus em toques de almas


cabelos que se perdem no tempo


em que as carícias


escasseiam


escorregam


pelos cabelos alinhados


finos


ralos


penteio-me no outro lado do espelho


onde


permanecem inquebráveis


os cabelos


com que te revolvo os dedos


as mãos


o olhar


o corpo até ao coração.



Sorrio aos fios dourados


com que teço gestos


de sim (n)em não.



Segunda-feira, Julho 28

ESTÁ PREPARADO PARA O PERÍODO CRÍTICO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS?















Verifique se está devidamente preparado para a época de incêndios florestais deste ano (http://www.dgrf.min-agricultura.pt/portal/prevencao-a-incendios-dfci):

Tenho o mato limpo, à volta da minha casa, num raio de 50 metros, para proteger a minha casa e criar uma zona de segurança para os bombeiros poderem fazer o seu trabalho.

Tenho as botijas de gás de reserva e as vazias longe de casa.

Tenho o telhado limpo de folhas, ramos, pinhas e carumas.

Tenho o caminho de acesso à minha casa, com o mato limpo numa faixa de 10 metros para cada lado.

Tenho os armazéns e locais onde tenho os animais, com uma faixa de protecção de 50 metros sem matos.

Tenho os montes de lenha afastados da minha casa.

Tenho as palhas guardadas num lugar onde o terreno está limpo à volta, sem matos e ervas.

Tenho as árvores à volta de minha casa desramadas e os ramos de umas não tocam nos ramos das outras.

Tenho o quintal sem ervas secas e sem folhada seca.

Tenho um sítio para fazer compostagem para não ter de queimar os restos das culturas e da jardinagem.

Tenho a relva do meu jardim devidamente cortada.

Tenho as chaminés protegidas com um sistema anti-fagulhas.

Já falei com os meus vizinhos que têm propriedades que confinam com os caminhos de acesso à minha casa, para que limpem os matos numa faixa de 10 metros, para cada lado, para se for preciso accionar um plano de fuga eu poder sair em segurança com a minha família.
Com estes trabalhos e acções fiquei mais protegido, tenho a minha casa mais segura e o risco é menor.Assim é mais difícil ver os meus bens serem destruídos pelo fogo!


Quinta-feira, Maio 1

Hoje é o primeiro dia...



Hoje é o primeiro dia do mês de Maio, o primeiro dia em que escrevo para um écran pensamentos a partilhar com quem passar por aqui.
Não quer isto dizer que abandono a escrita nos meus cadernos de capas duras, semi-rígidas, ou mesmo moles, capas coloridas ou negras, cadernos de vários tamanhos, alguns com folhas amarelecidas pelo tempo, pois albergam os meus pensamentos há já muitos anos. Assim como pétalas de flores secas e perfumadas.
E segredos. E sonhos.
Neste primeiro dia de um diário sem data, olho a vida com olhos de uma passageira em viagem ...
E avanço para a noite sem medo do dia seguinte.
Porque tal como este blogue, a vida está em constante construção.




A Primavera instalou-se em passos de dança
o prelúdio de um Verão
quente
de lágrimas de saudade.

É impressionante as palavras que não temos
quando as queremos
sensações soltas,
olhares furtivos,
emoções loucas
ou
simplesmente um virar de página.
Aberta
a imaginação,
o adeus adiado,
o momento dorido
os espelhos que não se ousaram quebrar
gestos suspensos,
musicas proibidas...

...passa o tempo a doer devagar.

Fecho os olhos para que as lágrimas não me traiam.
Tranco-me por dentro numa
tentativa de Verão
escaldante
o morno das manhãs
cálidos suspiros,
desejos secretos.

Quantas palavras desordenadas cabem no meu peito?
Quantas lágrimas escondidas em mãos alheias...

...pedaços de céu por recortar
numa partida anunciada.

Noites mágicas num adeus adiado.

Que saudades dos tempos que se adivinhavam
pueris
e
soltos
assim os anos que passam ou como a frase do poeta
-entre nós nunca haverá morte,
apenas noite-

Como se fosse fácil
permanecer
quando alguém parte,
num virar de página
irreversível
e estonteante.

Fica a música,
o perfume,
algumas flores secas
e a memória
de um tempo
em que as cerejas eram o vermelho da boca
e as palavras,
poesia.

E os rios que não param de correr,
assim eu
em tons de azul, lilás,
arco-íris de todas as cores
fortes,
numa explosão de sentidos...

...a saudade anuncia-se
dolorosa,
mas terna.

Recomeçar é a palavra.
Até um dia.
Até sempre.