Domingo, Maio 5

Love letters







nuvens de vento empurram o sol neste sotão de memórias, onde te (res)guardo em caixas coloridas como matrioskas de ar maternal.

sento-me num caixote de madeira, deixando que a claridade vença os recantos de todas as coisas guardadas de ti: postais, anéis, brincos, colares e fios de ouro velho que não reluz agora, o teu bilhete de identidade, o cartão da maternidade, algumas agendas (onde a tua letra me é tesouro) nos recados que me deixavas (junto com o almoço já feito) na minha adolescência de preguiça em férias, antes de saíres para o emprego.

encontro agora o teu passe de autocarro, recorto a tua fotografia e deito-o fora. é assim, sempre que mexo nas tuas coisas, a tentar ficar com o mais importante, o que para mim é tudo. mas é um exercício que faço, para me tentar disciplinar a não ficar tão dependente  de objectos que fazem parte da tua memória. 
é difícil desfazer-me seja do que for teu. quando o pai morreu, lá tive que dar os teus vestidos mais bonitos e o robe que ainda estava pendurado atrás da porta, e outras coisas. guardo algumas écharpes e lenços, que não usarei, porque não gosto, mas têm ainda o teu perfume, até porque estão junto com alguns sabonetes Camay (penso que americanos, com que o pai sempre te inundava e que tu recebias com o entusiasmo de uma primeira vez).

sabes (claro que sabes) já sou avó, ou seja sou mãe outra vez e tu continuas longe e eu sinto-me sempre solitária quando é a tua memória que me faz companhia.

dou corda a um dos teus relógios de pulso, com esperança que o tempo volte para trás e tu te materializes aqui na minha frente, a tentares fazer ao mesmo tempo mil e uma coisas enquanto me mimas e me beijas prendendo com uma rapidez hábil a bracelete do relógio, esse relógio antigo de tantas horas que guarda, assim o meu amor numa ampulheta de tempo, em que a areia se recusa a deslizar à velocidade desejada que é parada para que não tenha que te recordar com medo de te esquecer.



Quarta-feira, Maio 1

4 anos depois...




Quatro anos depois, de começar a partilhar estados de alma, sonhos, palavras primeiramente dirigidas a quem não me pode responder, a minha mãe, quatro anos depois continuo, sempre com mais pessoas que se ausentam e para quem escrevo também, sem esperar resposta, ou simplesmente dialogo com quem me visita e a quem vou descobrindo, enriquecendo-me com a enormidade de tantos de vós, todos, mesmo dos que desconheço o olhar mas adivinho o coração.

Quatro anos depois, orfã de mãe e pai. Desiludida com o rumo do nosso País, do Mundo. Debilitada por uma doença que tento vencer cada dia que passa, mesmo não havendo ainda cura. 

Quatro anos depois, muitas árvores plantadas, cuidadas, uma filha que resistiu entre tantos que perdi, um livro só meu, alguns livros de mais autores, muito amor  e alegrias, uma neta, a família a crescer, compensando as perdas insubstituíveis. E um trabalho que tenho a sorte de manter e que me realiza.

Quatro anos de letras, números, sorrisos, gargalhadas, cumplicidades, música e a dança das vossas escritas que me sossegam a alma em constante desassossego, só porque sou assim e muito mais.

Obrigada a todos os que comigo têm percorrido este caminho, os que resistem, pese embora o aliciamento das redes sociais onde (me) perco tanto tempo.

É tempo de regressar aqui, onde me sinto em casa, acompanhada pelas palavras que sendo de todos, escritas/ditas por cada um de vós saciam a minha sede, mesmo que tenha apenas fome.

Grata por me fazerem mais feliz, permanecendo!

(Tenham um alegre feriado, neste dia de todos os dias, mesmo que perdeu o trabalho, resista, não desista. Juntos temos mais força!)

Quinta-feira, Abril 18

Sunshine reggae



brilha como o sol que te encandeia o olhar entreaberto a sonhar gestos com que me acaricias suavemente a pele que é minha e tua nestes momentos em que sorrisos são brilho do meu amor e reflexo lunar nas águas profundas de ri(S)os rasos de lágrimas doces

______________________ como a tua alma em que me vicio, como o teu corpo entrelaçado no meu a transbordar de licores de anis e sorrisos cristalinos


_______________ brilhantes os dentes num sorriso resplandecente só porque ultrapassamos os limites de nós em simultâneo, em gritos que são gargalhadas que se transforma em sorrisos _____________ encantamento
fascínio e contentamento

____________________ vejo-me nua no teu olhar de espelho e danço contigo na famosa praia deserta onde ainda está o piano que abandonaste, por  conheceres de cor todos os recantos do meu corpo em dedos à flor da pele pelos teus dedos tocada
_________e  fazes de mim música  cada vez que sorris
e
 p
   o
      e
         m 
              a

sempre que me lembras, me beijas e entras em mim devagar, como se fosses  dono do tempo ____________________ sorridente e feliz.

Sexta-feira, Abril 5

Amar(elo)


água que somos.

             músculos em permanente desafio.
 a poesia escorre pelas faces em lágrimas que desaguam no (a)mar_____elo de gentes.

    sei uma canção com que embalo os dias sem música.
            sei estas notas de p.i.a.n.o. 
    sei o meu coração re__________partido em lugares que nunca fui.
    sei o afogamento da alma em linhas curvas. cíclicas. helicoidais em sangue.
         as mãos e os olhares dos resistentes. 

 é assim para sempre.

       Lusco fusco amarELO meu peito encostado às janelas que insisto em manter fechadas à chuva da tua memória.  [Quem habita assim um corpo, possui por completo a alma do outro]

     Apenas o corpo é pedra quando não ousa. 
   e a alma pássaros que rendilham estrelas de olhares mansos. aventureiros     os medos que se espraiam nos corpos nus. 

       sim... fios de barba inlúcidos, porque ardilosos na sedução. grácil o sorriso com que me envolve no desejo de uma boa tarde.
    sempre a tempo. beijo de hipótese. 
    sentada a uma secretária que me despe... 

   ...soubesse eu inventar mariposas de corações famintos

e  
l
o
s

de

a
m
a
r


sole ed  rama


Sexta-feira, Março 22

Divenire


és água que atravessa a luz da fonte de todas as energias sem que ardam bosque e matas, nem flores, mesmo as de jacarandá com que adorno os cabelos______ainda mais curtos__________mantendo no entanto farripas de franja que adoras afastar-me dos olhos, deste olhar com que te adormeço a sonhar e me acordo a sorrir.

és cavalo selvagem a galope nas palavras que não uso porque as transformaste em cântico final, sempre que te lembro a pele macia que se misturava com a minha em toques de alma quase angelicais. quase porque és ateu com a força toda do teu corpo viril quando misturado no meu se submete a um só em união cósmica de partículas infimas  que somos tu e eu.

és poema que desenho, musica que sobrevoa as florestas onde te encontro em cada ramo de castanheiro, pinheiro ou mesmo mato alecrim, alfazema com tanto de mim.

és tanto que nem adivinhas que ainda tenho em decalque os teus dedos de pianista, quando em tardes que foram noites fazias do meu corpo partituras quando despidos com ternura éramos sonata, sinfonia, orquestra, fantasia, sonho____________________________sem fim.


Quarta-feira, Fevereiro 20

Inquietudes


encerro em mim todas as memórias que posso, com receios de esquecimentos fundamentais, como o tacto e o sabor da tua pele ou mais importante que tudo, o teu olhar que abraça, que enlaça e me ama como sou, sem que o saibas muito bem, por vezes nem eu, neste véu de que me cobre a nudez, deixando o decote debruado pelos teus dedos que me são renda. gulosos saborosos. agasalho em noites de neve, quando o nevoeiro é cegueira leitosa. fujo então deste amor que me castiga a boca de pudor em que o mistério vive, vibra e se mantém insaciável, mesmo quando num corpo a corpo me tocas a alma, em rubores cálidos transgressores de limites transparentes.

sabes a frutos proibidos e as palavras que guardas, bastam-me.

aroma a pinhal, resina âmbar vitral, este sentir sem letras ordenadas, por ti guardadas. 
dá-me um pouco do teu tempo, de que me alimento, beijo de lábios e lisa a água com que os olhares humedecem o tempo. de sal na ferida do encantamento. amor. sem repetição. és eco, confissão.

e eu, sem saber fumar, acendo um cigarro, enquanto te espero, cinza que é pó que me devora entre a vida e a morte.

Quinta-feira, Janeiro 24

Kill For Love


deixo-me abraçar pela árvore mais próxima.

a  mudez do bosque contrasta com a nudez da tua alma erecta e
todos sabem o segredo que escondo nos dias em que te amo sem saberes na distância duma memória inventada ou apenas imagem guardada em saudade resgatada.

flocos de neve no cabelo que dói __________________________________________________ suave adormecer dos sentidos obrigatórios

o vento seca as lágrimas que teimam em salgar o dia. 
os teus lábios deixa(r)am marcas na minha pele de águas cantantes em perdidos murmúrios que me sussurram frases por inventar, só porque és tu que o meu peito acolhe.

avenidas de passos errantes _____________ a febre a arder devagar enquanto inventas silêncios diluídos nas sombras da solidão

escreve-me cartas de amor como quando nem sabias de mim

escreve-me e envia a carta para eu dormir aconchegada
ao teu beijo mágico nas letras que dançam
no meu corpo em fogo
sempre que te
aguardo
sem
saber
esperar

hoje vou com o sonho em mil sóis de nós sempre que te escuto a voz.

meu amor que mato sem morrer.



Sábado, Novembro 17

Farscape


Cântico final com(o) prata oculta, sa(n)gra(n)do o dia de expiação em que decido morrer, num abandono exacto em soluços incandescentes, esculpindo memórias despidas de aromas, apenas gravadas a fogo no peito desajeitado pelo horizonte longínquo, em que te sei ávido das minhas formas, como eu  da tua alma. 

Danço então, até o rubor das faces iluminar os jardins proibidos onde te seduzo em troca da tua voz de anjo numa inquietude erótica e mortal que é esta paixão faminta, numa cadência sôfrega e insaciável, como os amores distantes que ecoam nas cartas guardadas, amarrotadas e lançadas ao mar, ondulando até submergirem patéticas e solitárias (como todas as cartas de despedida da vida e dos amores que se despem) abandonados num labirinto de verbos inflamados de violetas desfeitas pelo beijo violento.

Saio assim de mim, a tentar inventar um novo silêncio que se estenda até à música, que será tudo o que levo, ao fechar-me comigo, trancando-me por dentro, na praia onde o piano descansa, elevando-me aos céus, para que saibas que é chôro, quando a chuva te refrescar o rosto cansado por tanto que me procuras. 
 

Sexta-feira, Agosto 31

BlueMoon


Hoje, em dia de lua azul

desenho-te  letras que rimam com o teu corpo

sempre que me tocas a alma

com os desenhos de palavras acabadas de inventar

no desassossego dos dias em que as noites são tardes

cem horas de relógios de areia

ampulheta  deitada no tempo

que demora para que me sintas chegar

em fogo

na magia que a tua voz encerra

sempre que a tua boca

(mesmo que outra, é sempre a tua boca)

cai sobre mim numa explosão de sabores

gritando palavras coloridas de desejo(s)

azul

como se fossem beijos.

Domingo, Julho 22

Voo



Trago as pestanas carregadas de sal
com que adoço o teu olhar
de sede
da alvura da minha pele
quando me curvo para saborear a polpa da tua
seda
de rosto escanhoado pela brisa do mar que te está longe
______________eu
curvo-me________
_________para que o sumo não me escorra pelos seios nus
sabendo que é o teu corpo que degusto
com
sofreguidão
curvada
a tentar tocar-te a alma
num gesto de nem sim nem não.

Quarta-feira, Junho 27

Guilty Kisses


Fazes-me tranças com papoilas neste cabelo cor de espigas maduras, neste cabelo onde os teus dedos são barcos à deriva por rotas sempre conhecidas, a pele tisnada de encontro à minha mais branca, encostada ao meu peito a tua boca calada por beijos meus e silêncios que insistes em manter, resistindo à vontade do beijo apetecido e quase roubado, sentido de sabor a romãs cor dos meus lábios que te esquecem dentro de mim, que te buscam insistentes e trémulos da distância que nunca te afastou, mesmo sabendo que não mais estaremos juntos, porque a noite é longa e a morte espreita.

Desfaço as tranças, guardo as papoilas no meu caderno de capa negra, caderno cheio de palavras que não dizes, porque és maior que o sonho de te voltar a ter, porque sonho que és meu e não és de ninguém, como este cabelo, que já não é o meu e que me dói na queda, na perda de o ter, como o livro que me deste, em segredo, onde encerro todas as palavras (que não disseste) junto a todas as papoilas que me deixaste nos cabelos, mesmo quando os campos eram apenas terra sem cultivo e nas minhas mãos nasciam searas de trigo com que sacio a fome de ti, num beijo proibido.

Terça-feira, Junho 19

Until We Bleed


debruças-me devagar sobre o parapeito da janela que me traz sons perfumados de nuvens com que me afastas o olhar caído na tua mão cheia de pétalas com que pestanejas sílabas estonteantes num rosário de ópio.

caminho descalça por entre as searas 
e as espigas acariciam o meu peito despido do teu corpo

grita-me baixinho sofismas que arredondem as metáforas que desprezas para que o dia seja céu e mar.
_____________________beijas-me no altar de pedra

e a música é extrema unção sempre que o amor é cor de água benta com que me soltas os cabelos enfermos despenteados e rebeldes ao vento do teu respirar.
(re)pousas em mim o cansaço dos dias inventados sempre que te prometo mais_________________e mais.


e me dou.


Terça-feira, Maio 1

Quatro anos depois...



Grata pelo vosso carinho nas palavras de estímulo. Grata pelas imagens e palavras que leio nos vossos blogues. Grata pela companhia, pela presença, pela construção de amizades, mesmo de rostos que ainda desconheço, de olhares que adivinho cúmplices de letras e princípios. De partilhas. De experiências. De melodias, contos e poesias. Romances, crónicas ensaios. Fábulas. Grata pelas aventuras. Cores e melodias. E sorrisos. 

Grata às Editoras que acredita(ra)m em mim. Grata à amiga, poeta e designer Luísa Azevedo que fez das páginas em branco com algumas letras, um livro de luz viva. Grata aos poetas, Albino Santos, António Barroso Cruz, Filipe Campos Melo pela musicalidade das palavras que enriquecem o meu primeiro livro a 'solo' "Escrito nas Árvores". Um livro de memórias, de sensações e aromas. 

Dedicado à minha mãe, que tanto levou de mim, quando partiu.


Quatro anos depois, algumas participações em Colectâneas, um livro, mais amigos, continuação das escritas nos meus caderninhos, uma neta a caminho...

E assim, quatro anos depois das primeiras palavras escritas aqui, estarei no dia 6 de Maio, Dia da Mãe, na Feira do Livro de Lisboa, Pavilhão 11, Edições Colibri, entre as 16-19h a autografar o meu livro "Escrito nas Árvores". Com a compra de cada exemplar está a contribuir para apoiar a Fundação Floresta Unida. Junte-se a esta causa!

«A Floresta Unida é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e implementa acções e conceitos que permitem a apoiar o desenvolvimento sustentável do património florestal.» 

http://www.florestaunida.com




Quarta-feira, Março 21

Last Days




e é quando me encontro no silêncio da tua ausência que a música fere as pálpebras desprevenidas e o rio que me atravessa o corpo é lava gélida  de húmus infértil. sabes todos os gestos com que me recolho ao luar. adivinhas-me sorrisos de esperança, quando te escuto a voz. sabes-me guerreira invencível, sempre que a tua boca, e mesmo que outra boca, é sempre a tua boca, me exige não sei que beijos de olhar penetrante com que guardo o segredo de te amar. então é primavera no meu peito enquanto as flores silvestres que roubas, são aroma de pele na pele com que me vestes de ti.

Sábado, Março 17

La solitude

Halberg Photographers



Vazio de sono
olhar vagabundo
corpo em espera
amanhã
o sonho pode acontecer
são as tardes nubladas dos momentos sem cor
noite sem dias sem horas
tarde
sono
paz
breve adormecer de sentidos
em alerta
apaixonados
vividos
à pressa


corre em mim o rio límpido


sou mar e sol
sou amor
pecado
expiação
voragem
oração
linho em lençol
branco
de tanto querer
sou
SER
querer entender sem sofrer
crescer
alimentando a criança que há em mim.


Viver enfim!


Quinta-feira, Março 15

Fotograma



Trinquei uma romã
escorre o suco
gengibre
lábios
afins.
(Afinal era uma maçã).

Rasgado
o sorriso
mãos dadas com as sombras do vento
infinito o passo
(des)acertado com o Tempo.

Ouço-te na distância
das viagens de regresso,
recitais intemporais
propaganda de progresso.

Acesa a chama do inverso
em que me torno
invisível
ao toque do teu odor.

Piano em concerto
tétrico
sangue,
suor e
lágrimas
de amor.

Quarta-feira, Março 7

Fotografia de Sérgio Figueiredo


Volta a vontade de (part)ir
lágrimas que não caiem
presas
nas asas das borboletas
virgens
as mãos sem gesto
o olhar
sem luar
fogueira
cristal
madeira
morte moribunda
alma perdida
corpo exangue
sabor a sangue no abraço
beijo roubado
musica em espiral
dança sem fim
memória esquecida
flores silvestres para a minha mãe
(sim pai
para ti, um cravo.)



Quarta-feira, Fevereiro 29

Crepúsculo






´

Arranco as pétalas dos malmequeres
num desespero infantil
de bem me quereres.

Relembro os dias de vento
em que um guarda-chuva
nos protegia aos dois.

E a cidade indiferente
ao nosso passo apressado.

E o lusco-fusco
numa imensidão de céu
um café
e o silêncio
das conversas inacabadas.

Depois,
a distância que inventei
num comboio sem regresso.

E o sorriso triste
que me deixaste
sinto-o
em cada gota de chuva
sem chapéu.

Sexta-feira, Fevereiro 24

Sede



Despeço-me tantas vezes de ti
para não ter que te ver partir.

Hoje,
lembrei-me do sabor do teu olhar
mel
no verde da manhã
de prados em cascata de luz
p
u
r
a
a água
que me ensinaste a beber em todas as fontes.


Quinta-feira, Fevereiro 16

Because Of The Blood




o vento seca as palavras que o vento não leva. recebo sinais desesperados de dores antigas que o peito guardou. são assim as despedidas adiadas de amores a quente. quando o brilho dos olhares trespassa corpos alheios a almas tocadas em uníssono. sempre te disse que o amor é. mesmo quando parti, de todas as vezes que regressava já não era eu em límpidos rios que desaguavam nas tuas mãos de pintor. com que tingias os dias em negativos digital de gravuras nítidas a preto & branco que o azul absorvia diligente numa quase promiscuidade galante. a sedução é uma arte que nos assiste, impertinente e baça quando a mentira é verdade inventada. ainda recordo (a anestesia foi benevolente comigo) as tardes que eram madrugadas e o teu peito era mesa de repasto degustado poro a poro, na minha pele de menina que, decalcada na tua fazia crescer flores silvestres nos cabelos em desalinho pelos suspiros de amor.

Quinta-feira, Fevereiro 9

Tempo




Saio de mim
para de novo entrar
mar
memórias a esquecer
brando querer
viver em musica
dançar
voluptuosos os movimentos
lentos
desejar
rapidez no tempo
o relógio sem ponteiros
a rodar
(a)corda(r)
o momento
calma silêncio paz.

(Re)Começar de novo.

Domingo, Janeiro 29

Silence in everywhere




Pouco a pouco
o silêncio da distância
instala-se entre nós
e
o
tempo que não pára,
que não espera
pelo nosso tempo...

Estás ainda presente
neste tentar não lembrar
porque esquecer nem consigo...

Como poderia?

Se és
a manhã dos meus dias,
o anoitecer
das tardes de Verão,
se és
o mar da minha praia encantada,
o Sol das noites mágicas,
o ar das florestas virgens,
a poesia das músicas proibidas,
se és tudo e nada
ou
muito
ou simplesmente
memória...

Por vezes retraio-me:
sento-me num canto,
aguardo impaciente
uma palavra tua
um gesto,
qualquer movimento
que me diga
que ainda estás aí,
que...

Recuo no tempo,
invento
uma memória
em que me envolves num abraço sem fim,
assim
o meu gostar de ti.



Quinta-feira, Janeiro 12

A pele que há em mim


Foto JFP


fazer deste chão, céu...onde em voos rasantes ao teu corpo de rei, te sussurro afagos de anjo. depois beber-te as palavras que suavizam os sentidos obrigatórios na direcção proibida do meu olhar. coloridas os lábios com que te desassossego as mãos perdidas no meu corpo de água. diáfana nudez de alma pura. diz-me amor, se és meu, com quantas letras se escreve a palavra com que me defino enquanto amparo as tuas lágrimas de resina? quantos traços são precisos para que o esboço com que me desenhas seja tatuado no teu abraço que tarda? és aroma primitivo, sabor a saudade escondida no meu peito, onde respiras devagar para que ninguém saiba que vives debaixo da minha pele. 




Sexta-feira, Dezembro 9

Pre(s)sa





chegas apressado o olhar errante como se eu ficasse invisível à suavidade com que me afloras o beijo. é noite de uma semana sem toque de pele, sem abraço de mansinho por debaixo do edredon que o frio exige.é tarde para um beijo prolongado e cedo para que derrames em fúria o teu amor contido na distância.tenho fome apetece-me um bife na Trindade, apetece-me descansar o olhar no teu, enquanto percorremos de mãos dadas a cidade que me tem mantido reclusa. tanta liberdade que nem tenho sabido o que fazer com ela. assim fechei-me comigo no quarto que é sala, na cama que é mesa de refeição, escritório,  espaço que recebe amigos, onde bebericamos chá e falamos da razão porque me encerro. liberto lágrimas (d)e raiva. encerro-me e cerro os dentes com fúria nas palavras que gritas. mudo o gesto de enfado.sorrio ao sol nublado de abraços estéreis e olhares singulares com que te devoro já sem apetite nem fome, apenas pelo gozo de te seduzir.

Segunda-feira, Dezembro 5

"Love is just a word. Your actions are what proves it."



Já pode contribuir com 1€/livro para a organização sem fins lucrativos FUNDAÇÃO FLORESTA UNIDA.

através de
http://www.edi-colibri.pt/Detalhes.aspx?ItemID=1552

(Portes de Correio suportados por Edições Colibri)

DISPONÍVEL também NAS LIVRARIAS da Faculdade de Letras de Lisboa, Alameda da Universidade, 1600-214 Lisboa,
E DA Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Av. de Berna, 26-c – 1069 061

Junte-se a esta Causa!



NOTA: "A Floresta Unida é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e implementa ações e conceitos que permitem a apoiar o desenvolvimento sustentável do património florestal. Missão: Plantar e proteger Proteger o que está plantado Educar e sensibilizar Apoiar a investigação. Onde atuamos: A Floresta Unida tem a sua sede em Portugal e representações em Espanha, França, Itália e no Chile..."

Sexta-feira, Novembro 11

AMOR iNFINITO

Segunda-feira, Junho 27




Dói-me o cabelo


(não a cabeça)


mas o cabelo que cai sem ser Outono


chuva em meadas de fios (a)dourados pelo tempo


que os teus dedos já não penteiam


em suaves sobressaltos embaraçados pelo vento


cabelos livres


cabelos lisos, tão lisos


searas de trigo amadurecidas pelo teu beijo (a)guardado


rios de luz que o sol reflecte


águas revoltas no amar de corpos


cabelos meus e teus em toques de almas


cabelos que se perdem no tempo


em que as carícias


escasseiam


escorregam


pelos cabelos alinhados


finos


ralos


penteio-me no outro lado do espelho


onde


permanecem inquebráveis


os cabelos


com que te revolvo os dedos


as mãos


o olhar


o corpo até ao coração.



Sorrio aos fios dourados


com que teço gestos


de sim (n)em não.



Segunda-feira, Julho 28

ESTÁ PREPARADO PARA O PERÍODO CRÍTICO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS?















Verifique se está devidamente preparado para a época de incêndios florestais deste ano (http://www.dgrf.min-agricultura.pt/portal/prevencao-a-incendios-dfci):

Tenho o mato limpo, à volta da minha casa, num raio de 50 metros, para proteger a minha casa e criar uma zona de segurança para os bombeiros poderem fazer o seu trabalho.

Tenho as botijas de gás de reserva e as vazias longe de casa.

Tenho o telhado limpo de folhas, ramos, pinhas e carumas.

Tenho o caminho de acesso à minha casa, com o mato limpo numa faixa de 10 metros para cada lado.

Tenho os armazéns e locais onde tenho os animais, com uma faixa de protecção de 50 metros sem matos.

Tenho os montes de lenha afastados da minha casa.

Tenho as palhas guardadas num lugar onde o terreno está limpo à volta, sem matos e ervas.

Tenho as árvores à volta de minha casa desramadas e os ramos de umas não tocam nos ramos das outras.

Tenho o quintal sem ervas secas e sem folhada seca.

Tenho um sítio para fazer compostagem para não ter de queimar os restos das culturas e da jardinagem.

Tenho a relva do meu jardim devidamente cortada.

Tenho as chaminés protegidas com um sistema anti-fagulhas.

Já falei com os meus vizinhos que têm propriedades que confinam com os caminhos de acesso à minha casa, para que limpem os matos numa faixa de 10 metros, para cada lado, para se for preciso accionar um plano de fuga eu poder sair em segurança com a minha família.
Com estes trabalhos e acções fiquei mais protegido, tenho a minha casa mais segura e o risco é menor.Assim é mais difícil ver os meus bens serem destruídos pelo fogo!


Quinta-feira, Maio 1

Hoje é o primeiro dia...



Hoje é o primeiro dia do mês de Maio, o primeiro dia em que escrevo para um écran pensamentos a partilhar com quem passar por aqui.
Não quer isto dizer que abandono a escrita nos meus cadernos de capas duras, semi-rígidas, ou mesmo moles, capas coloridas ou negras, cadernos de vários tamanhos, alguns com folhas amarelecidas pelo tempo, pois albergam os meus pensamentos há já muitos anos. Assim como pétalas de flores secas e perfumadas.
E segredos. E sonhos.
Neste primeiro dia de um diário sem data, olho a vida com olhos de uma passageira em viagem ...
E avanço para a noite sem medo do dia seguinte.
Porque tal como este blogue, a vida está em constante construção.




A Primavera instalou-se em passos de dança
o prelúdio de um Verão
quente
de lágrimas de saudade.

É impressionante as palavras que não temos
quando as queremos
sensações soltas,
olhares furtivos,
emoções loucas
ou
simplesmente um virar de página.
Aberta
a imaginação,
o adeus adiado,
o momento dorido
os espelhos que não se ousaram quebrar
gestos suspensos,
musicas proibidas...

...passa o tempo a doer devagar.

Fecho os olhos para que as lágrimas não me traiam.
Tranco-me por dentro numa
tentativa de Verão
escaldante
o morno das manhãs
cálidos suspiros,
desejos secretos.

Quantas palavras desordenadas cabem no meu peito?
Quantas lágrimas escondidas em mãos alheias...

...pedaços de céu por recortar
numa partida anunciada.

Noites mágicas num adeus adiado.

Que saudades dos tempos que se adivinhavam
pueris
e
soltos
assim os anos que passam ou como a frase do poeta
-entre nós nunca haverá morte,
apenas noite-

Como se fosse fácil
permanecer
quando alguém parte,
num virar de página
irreversível
e estonteante.

Fica a música,
o perfume,
algumas flores secas
e a memória
de um tempo
em que as cerejas eram o vermelho da boca
e as palavras,
poesia.

E os rios que não param de correr,
assim eu
em tons de azul, lilás,
arco-íris de todas as cores
fortes,
numa explosão de sentidos...

...a saudade anuncia-se
dolorosa,
mas terna.

Recomeçar é a palavra.
Até um dia.
Até sempre.