quarta-feira, junho 24

A minha morte



Não te demores em mim.

O dia fecha a noite com uma chave de prata.

Veludo azul
é a minha pele de seda
quando o teu apetite devora a tarde
e os perfumes se colam
aos lábios rubros de desejo
em galopes alados
de toques de asas no meu peito.

Não te demores em mim.

Que a vida se esvai aos poucos
e o ar que me sustenta
pesa nos ombros.

Não te demores em mim
passa o tempo a doer devagar.

Se partires agora
nem darás conta
quando eu já não ficar.

Apenas um sopro de fim.

E a paz regressa
numa alegria de mim.