sábado, maio 23

Dança comigo






Aos poucos

d

e

v

a

g

a

r

i

n

h

o

regressa o Eu que preciso
explosivo

vibrante

apaixonado

vai-se insinuando nos cabelos ao vento
no Sol da Primavera dos sentidos
e
apetece-me
um vestido de Verão,
decotado,
sem costas,
saia rodada comprida
e
uma canção.

(Mesmo sabendo que não terei a tua mão
para me conduzir na dança...)

Mas apetece-me...

...VIVER!

quarta-feira, maio 20

Moscatel


Verde musgo
doce
melado

aliança
ouro sobre azul

olhos de espanto

deixar que o pranto te conduza a mim

oca
vazia

enjoo matinal pré-natal
em
despedidas de Verão

o toque suave da mão
(n)um beijo roubado
dentro do coração.

Sofreguidão de mim
sem nunca me teres tido
por inteiro
solidão
(desde Fevereiro?)
cai a tarde
nublada,
mesclada
no meu corpo nu.

quarta-feira, maio 6

Alegria breve

Fotografia de Luís Ferreira

Hoje as palavras não bastam para prender o sorriso. Nem as que invento , num movimento de virar de página. Esquecer. Deixar de lutar, enfrentar a inexpugnável dor de deixar de perseguir um sonho. A Lua Cheia incita o caminhar, sem olhar para trás. Acaricio o ventre numa despedida (o)usada. Evito as lágrimas secas. Agarro o azul do que não sei e com ele junto ao coração, parto em direcção ao vazio. Está uma noite linda para morrer. Em silêncio, para que ninguém perceba. Vou então...

domingo, maio 3

Mãe Para Sempre

8 de Março

Mãe continua comigo

o cansaço toca-me os ombros
pesa-me o corpo
fecham-se as pálpebras
numa tentativa de paz.

Olha,
refresca-me os cabelos
com um só toque de mão
minha mãe
vou estender a roupa
podes continuar sentada
neste leito
onde todas as noites
te espero sem dormir.


9 Março

As lágrimas vieram assim
sem que eu fechasse os olhos
deslizam rápidas e quentes
em uníssono
com os sinos da tua aldeia.

É uma manhã
estranha
de cinzento azul evento
quanta
chuva nos meus olhos

minha melhor amiga
nem imaginas o que levaste de mim
quando partiste...

12 Março

Liberto-me assim
sem pensar no que escrevo
palavras letras juntas
como tu e eu éramos!

Agora,
sinto-me perdida
sem ti,
nada faz sentido.

Então, uma necessidade brutal
de te apertar contra o peito
suave acordar ao som da tua voz
quando sorrias para mim
quando para mim vivias.

As lágrimas também são nó na garganta
e no corpo
e muito principalmente
DOR
na vontade de partir em busca de ti.


A água cai
pau-sa-da-men-te
numa humidade opressiva
de cinzento quente.

É uma manhã estranha
esta
em que tento desesperadamente
não te lembrar.

Mas como posso esquecer-te, se fazes parte de mim?


(Mãe, eu não te encontro por estares tão dentro de mim?!...)


Sinto-te a pele...

...E o meu corpo febril de espera
de ti
e do verão.
Há cerejas murchas
de tanta água salgada
nos meus olhos
sem cor.

A tua imagem
recorta-se incerta
na minha memória
(tão certa que eu estou de ti
e da tua partida se regresso).

Murcham as flores;
que Primavera
que dor
que saudades de
ti, mãe.



Penso-te em cascatas de lume.
É um tempo estranho este
de dor e paixão.

Lábios rubros
sabor a maçãs
verdes
os anos
e as árvores
numa tentativa de Primavera precoce.



Em passos de dança
rolam as lágrimas
por entre nós
até ti
eu
sinto-me
tão só.
Volta, por favor.


20 De Março

O fogo das lágrimas
nos espelhos que não ousámos estilhaçar.

Lembro-te folha a folha
leve agitar de árvores
em verde
de Primavera
e
perfume.

O canto do cisne na memória do lago maldito.

Era uma vez
um jardim sem flores
que eu roubo
e
distribuo
com o olhar
sempre que te penso.

É mais uma manhã de azul e gelo.

Tanta coisa por dizer.

Misturo as palavras com as lágrimas
e já nem sei o que te diga.

Amo-te muito.
É assim
para sempre.