quinta-feira, abril 3

Before

 



E o mutismo.

Na parte oca das reticências onde tudo se prevê mais intenso, por não se ouvir, não se conhecer a certeza, a segurança do que se percebe.

Silêncio, devaneio que deseja que lhe (não) digas. 

Mutismo.

Aflorar  da tua boca, a conjugar o verbo.



quarta-feira, abril 2

Slave to love


 Foto: CM

Desejo. 

Tanto desejo dele, do toque que  lhe deixa sulcos vincados nas curvas que a envolvem. 

Exije mais, mais dor, dor que lhe fique próxima, fustigada na convulsão mal suportada, de tanto veludo que a consome por dentro.

quinta-feira, fevereiro 27

Someone Like You



O amor tem cheiro?
O olhar a vaguear no espírito dos pássaros.
Em câmera lenta, memórias dormentes.
E sempre que te escrevo ou te leio, desperto. 



 

quarta-feira, junho 26

Dream, Ivory


Ele viu-a passar, de mansinho. De olhos abertos ao lusco fusco do dia, como quem procura pela alma. Viu-a sair para as montanhas que lhe são vida, tão suas, tão longe de si, na imobilidade da pele pálida, massacrada pelas sombras virgens. Na flor do riso aberto ao desejo, ouviu-lhe as palavras, desenhou-a no silêncio que a morte ia por fim em surdina de verbos desencontrados. Em horas e minutos e segundos. O brilho dos corpos envenenados, palavras banais no silêncio perturbador. Sentou-se na soleira, esperando que ela regressasse.