terça-feira, abril 25

Quelqu'un m'a dit


 


Inclino-me na noite, encostada à janela que te inventa.

A rua vazia, ecoa murmúrios do dia esgotado pelos lábios desafiantes.

Toques proibidos que ardem como gelo. E um copo de uísque. Glenlivet.

Dedos unidos esfumaçam sensações quase intoxicantes. C i g a r r i l h a s.

As esquinas são testemunhas dessa atracção intensa, e os sussurros de outros amantes misturam-se com os nossos, num êxtase delirante.

Gravado nas almas, o segredo da paixão insana e indomável.

Amanhece.

E corro para dentro de mim.

terça-feira, abril 11

When Love Breaks Down

 



guarda-me,

no lugar insuspeito onde desaguam desejos em vertigem

onde os pássaros fazem ninhos,
e nós morremos vivos

em memórias de doces frutos amadurecidos.


guarda-me
enquanto exiges

que ignore o caminho dos teus lábios


e eu percorro
avenidas, dunas, soleiras, bares,

em noites soluçantes de chuva invisível.


e, da força que me falta, articulo asas
e, da vontade que não tenho, invento caminhos

sem dores nem queixumes,
nesta primavera de esquecimentos

arredondo sorrisos, invoco deuses e alinho os astros.


e, no absurdo,

amo-te.


quarta-feira, março 1

The greateast


 

Avenidas Novas. Passei do assombro ao medo. De não reter as memórias de nós, de mãos dadas.

Bancos de jardim nos passeios, onde pés calçados de juventude pisam os lugares que já foram nossos.

Sinto-me perdida, não reconheço os sorrisos, há tanto que estou estremada ao meu lugar solitário.

Horizontes de néons, prédios e gente em que esbarro, porque correm. E eu quieta a fingir que vejo o mar, enquanto olho o céu.

Entretanto chego ao lugar- comum de todos os encontros.

Sento-me a olhar o rio, o caderno preto à espera da mão que tenta acompanhar o pensamento numa aventura de escrita, letra apressada e indecifrável.

Na outra mão, um uísque velho afogado em amargura decadente.

E permaneço, a fixar o rio até que seja mar.

quarta-feira, fevereiro 15

Desire


 

Não sei porque razão, os meus lábios abrem janelas de par em par, deixando entrar em passos de dança, sorrisos de memórias.

Metáforas que se fundem na paisagem. E o rosto dele a fixá-la como se ainda a esperasse.

Tanto tempo.

E a vontade de o rever, ouvi-lo, vê-lo perto. Tão perto que o pudesse tocar com a boca.