sexta-feira, junho 14

Somewhere tonight


 

À porta do café, permanece [in]quieta, devassa a luz que lhe acende os sentidos.

Lábios gretados pelas palavras novas amordaçadas.

Memórias. São ainda assim as paixões agora com o cabelo deixado crescer, como nos anos 70 e 80. 

Recua aos tempos em que os labirintos eram desafios com destinos sem receios e a liberdade, a soma dos momentos.

Afaga a brisa de uma noite morna. As avenidas estão vazias, num desassossego doloroso.

Os cabelos dourados, presos com um travessão, para que o vento não lhe levante a saia do vestido longo.

quinta-feira, abril 11

The end

 



Aprende desgostos.

Fio de tempo em verbo de escorrer.

Desconhece-o na luz tardia do dia anterior. Numa dormência trespassada a gelo trincado. Lábios roxos de vidro que rasgam r…e…t…i...c…ê…n…c…i…a…s…

E na desconstrução da promessa, todas as avenidas são dela.

terça-feira, março 19

Blood On The Rooftops


 

Atirou-se ao primeiro amor emergente e brilhante, num tom de cinza

previsível,

que a libertou, com palavras a transbordar.


Olhares des[a]botados


exilando-a daquele deserto, refúgio onde por vezes se vive, em terra firme

com abundância de água salgada  De tantas lágrimas.


quarta-feira, fevereiro 21

Fade Into You


 

Quedou-se de mãos estendidas, numa espera para que ele a tocasse. Levemente, incitando-a a sentir a ausência.

Ardente, o toque. Talvez tenha experimentado um leve tremor, arrepio de suposição. 

Refém de emoções, empurra o vento invisível de palavras cegas.

Silêncio que ensurdece.

E arrisca o voo.