Na quietude da cela, a noite revela um perfume estéril de agonia.
Flores murchas que sussurram segredos de_ Verão. De
nostalgia dos dias luminosos, inclinados sobre os cabelos dourados.
Na quietude da cela, a noite revela um perfume estéril de agonia.
Flores murchas que sussurram segredos de_ Verão. De
nostalgia dos dias luminosos, inclinados sobre os cabelos dourados.
O encerramento de um tempo comedido.
Num esforço não planeado, a dor de ossos estilhaçados entre
paredes florescentes por detrás de portas abertas ao acaso, a preservação da
luz cinematográfica, do prazer amargo, indo além da ficção.
Então, um grão de ouro punk e feminino, a viajar pela arte ao
som que a cidade transmite.
Acorda, acordes de agulhas injectadas em simultâneo, vibrações
que se insinuam complacentes.
A anestesia não surte efeito. Levanta-se, agradece e deambula
pelos corredores sem encontrar a saída.
Sempre que o enfrento, selvagem e desafiante, ele vem
beijar-me as mãos e o rosto com cicatrizes, deixadas pelos ramos do meu realismo.
Acaricio-lhe o lombo, a cabeça. Depois evapora-se.
Fico então aprisionada neste enigma cada vez mais complexo, que vou codificando à medida que lhe nego o nome, surdamente e recuando sempre que o vislumbro ao longe.
És-me letras desalinhadas em mãos trémulas, que por vezes prosseguem caminhos de amor. E escrevo.
Leio-te também. Ainda noutro dia, abri o livro e vi. Páginas de luxúria desenhada. Ansiada. Nesta surdez que passa. Em branco.
Imagino que não deixas escorrer as noites, filtradas de madrugada.
Poderia então conjugar-te verbo, enquanto me decifras.
Houve mesmo um dia em que o nosso olhar se apaixonou.
Se estivesses aqui agora, beijava-te.