Vem comigo agitar
os dias, inventar sorrisosenquanto os teus dedos me arqueiam o corpo colorido
pelo teu toque.Até ferirem de prazer, os
meus lábios debruados a beijos roubados,enquanto advinhas o que sinto,ao som ritmado
do inalcançável, sempre que dizes amo-te.
afogo um soluço na mão que não te dou.olhares que se
encontram quando
os lábios se esmagam.
os teus nos meus, ou nos gestos que se insinuam
_________________ escondidos,mordidos.salpicados de sangue,sabor a vermelho
quente.de língua. suave e húmida em
beijo
no
céu
da
boca
ou simples aflorar. perfume de lágrima.seiva ardente.fechada a boca cativa do gostar. parado o corpo. numa angústia de cor antiga.
brilho de iris incandescente __________________tranco-me
por dentro numa tentativa de não.
filamento em
corrente de ouro.sou lua.sou tua.
Sou
fuga
e
solidão.
reconheces-me [N]a pele firme onde te demoras. recantos
perdidos ou engolidos pela pressa de prazer. dar e receber.música clássica,
canção de_Verão. cântico, afinação. velocidade, perdição. anjo caído. amor erguido no cálice, em oração.
flutuante o meu coração vadio.jamais vazio. por vezes [de]
frio.
Se
me estenderes a mão, num sinal de perdão, eu até sou capaz de avançar.Mas o gesto
terá de ser teu,se o teu sentir assim o exigir,sem te deixares comandar pelo
racional.
Eu nem penso, ainda estou presa num desejo por assumir, em memórias de olhares trocados,
ainda sinto as tuas mãos próximas das minhas e o rubor de me adivinhares a não
te oferecer resistência e alguma vergonha a atrapalhar-me, ao lembrar a tua boca tão
perto da minha, quero pedir-te desculpa mas tu impedes qualquer som,tiras-me o fôlego. E o juízo.
Respiro-TE em ausências de momentos em que a luz difusa me
penetra como se a tua mão na minha fosse ainda o caminho. Lascivos os olhares
com que nos bebíamos (S)em pressas que transbordavam de silêncios contidos.
Procuras-ME em noites de Lua Cheia,quando me transformo em loba e te devoro em
reticências.
Sabes a pedras salgadas, a fumo de sobro e a flores silvestres, com que me debruas os seios de auréolas
rosas em bicos de espinhos. Soltas perfumes de cristais no mercúrio com que
iluminas as manhãs que transportamos ao colo,sem que ninguém saiba, em
segredo, ao mesmo tempo que me telefonas para dizeres: amo-te.
Finjo que te esqueço, quando o café arrefece o açucare o
chá de menta sabe a deserto na alma que tocas cada vez que me entoas canções e
me esperas na esquina onde mais ninguém passa, para não saberem deste amor
proibido, celebrado um dia por semana, todos os anos, mesmo hoje, quando o
cabelo adourado se desprende dos teus dedos e a barba embranquece as tardes de
pecado que não fomos.
Fazes amor comigo, como se fosse a ultima vez. E para
mim, é sempre a primeira, nas descobertas de centímetro a centímetro de ti, de
mim.
Eternizo-TE nos cãnticos que jamais escutarei.Fecho os
olhos, as pernas, os braços. Fecho-ME contigo dentro de mim e saio em busca de
nós, no passado que já não lembro.